AP Photo/Vicente Robles
AP Photo/Vicente Robles

Resta pouco oxigênio para submarino desaparecido na Argentina

Marinha argentina intensifica resgate do ARA San Juan, pois embarcação teria capacidade de sobrevivência para até sete dias submersa, prazo que se esgota nesta quarta-feira; na web, Maradona posta mensagem de apoio às famílias

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 21h09
Atualizado 22 Novembro 2017 | 10h35

BUENOS AIRES - A Marinha da Argentina disse na noite de terça-feira que o oxigênio do submarino ARA San Juan deve se esgotar nesta quarta, 22 – caso ele esteja mesmo há seis dias no fundo do mar. A embarcação teria capacidade de armazenar oxigênio por uma semana. Como o submarino perdeu o contato com a base na quarta-feira passada, a missão de resgate estaria vivendo um momento crítico. 

Parentes dos tripulantes do ARA San Juan homenageiam os desaparecidos

Sem esconder a ansiedade pela falta de avanço nas operações de busca, o porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, demonstrou pessimismo. “A questão do oxigênio nos preocupa desde o primeiro momento em que perdemos o contato com o submarino”, disse Balbi. “Estamos considerando todas as hipóteses. Obviamente, a situação mais crítica é que estamos no sexto dia de oxigênio.”

Durante a semana, especialistas da Marinha explicaram mais de uma vez que, em condições normais, o submarino poderia passar até 90 dias sem ajuda externa, em relação a combustível, água, óleo e oxigênio. Se a embarcação não utilizar o snorkel para renovar o ar, no entanto, ela teria sete dias de sobrevida.

Na terça-feira, segundo o jornal argentino Clarín, um navio norueguês, o Skandi Patagonia, deixou o porto de Comodoro Rivadavia equipado com quatro submarinos autônomos não tripulados da Marinha americana que serão usados para a procura e resgate dos militares a bordo da embarcação. 

Primeira submarinista da América do Sul estava a bordo do San Juan

O equipamento tem uma cápsula especial para ser acoplada à escotilha do San Juan. Ela é capaz de alcançar uma profundidade de até 260 metros. As operações foram favorecidas por uma melhora nas condições climáticas, que vinham dificultado os trabalhos. 

A incerteza já se tornou angústia para as famílias dos 44 tripulantes do San Juan. A cerca de arame na entrada da base naval de Mar del Plata, onde a embarcação deveria ter chegado na segunda-feira, foi transformada pelos parentes da tripulação em um painel de recados aos desaparecidos.

Cerca de 100 parentes dos tripulantes ainda aguardam notícias sobre as operações de busca em Mar del Plata – cidade onde vive a maioria das famílias. “O estado de ânimo é bom. Logicamente, há gente mais otimista e gente mais pessimista. Mas, no geral, o espírito é positivo”, afirmou Jorge Villarreal, pai do tenente Vicente Villarreal, tripulante do submarino desaparecido.

Maradona

Também na terça, os parentes dos marinheiros do submarino desaparecido ganharam o apoio do maior ídolo do futebol argentino. Emocionado, Diego Maradona publicou uma mensagem de apoio às famílias. “Quero enviar força e esperança a todos os parentes da tripulação do submarino ARA San Juan. Parece-me bárbaro que estejamos recebendo ajuda de outros países que têm melhor tecnologia. Embora eu me pergunte quem são os responsáveis por esta situação, acredito que hoje o mais importante é resgatar nossos meninos”, escreveu o craque no Instagram. / REUTERS e AP

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