Abbas Momani/AFP
Abbas Momani/AFP

Restaurar a economia será desafio palestino

Se a criação do Estado for aprovada pela ONU, ele será um dos mais pobres do mundo

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

Se as autoridades palestinas conseguirem votos suficientes na ONU para a criação do Estado palestino, terão pela frente um desafio ainda maior: recriar as bases de uma economia nacional. O eventual Estado palestino seria um dos países mais pobres do mundo e, em muitas partes, equivalente a um "Estado falido" economicamente por causa das restrições impostas por Israel e pela queda drástica de doações internacionais nos últimos anos.

A economia palestina estaria entre as 50 mais pobres do mundo, com um PIB per capita correspondente à metade do paraguaio e inferior ao da Nicarágua, Bolívia e Fiji. A taxa de desemprego seria uma das maiores do mundo.

Nos últimos dois anos, sinais de esperanças foram identificados na economia palestina e chegou-se a anunciar que a região vivia seu primeiro "boom". Os pontos de controle de Israel foram reduzidos de 46 para 16 nos territórios palestinos, o que permitiu um certo crescimento.

Um primeiro shopping center para a elite abriu suas portas em Ramallah, vendendo bolsas Prada por US$ 3 mil e roupas de marca em um país onde a renda média anual é de US$ 2,9 mil.

Em 2010, foi inaugurada a primeira loja da Mercedes-Benz na Cisjordânia, além do primeiro hotel cinco estrelas. Mas a crise financeira internacional, a atitude de Israel em relação à criação de um Estado palestino e a primavera árabe contribuíram para frear o que parecia o primeiro "boom" do território.

Dependente de doadores, a economia palestina sofre para garantir uma base financeira estável ao eventual novo Estado. Quando a torneira da ajuda externa é fechada, é a própria economia que sofre.

Este ano, países ocidentais mantiveram seu volume de doações. Mas foram os países árabes, que enfrentam crises internas, os principais responsáveis pelos cortes. Os governos do Oriente Médio enviaram US$ 80 milhões nos últimos seis meses aos palestinos - em 2010 foram mais de US$ 400 milhões.

Diante da redução da ajuda, levantamentos feitos nos últimos dias pelo FMI, Banco Mundial e pela ONU alertam que a economia palestina vive seu pior momento em quatro anos. Para poder operar, a Autoridade Palestina precisaria de US$ 300 milhões até o fim do ano.

A projeção inicial do FMI para este ano era de uma expansão da economia de 9%. Mas os cortes de doações no primeiro semestre já fizeram as previsões de crescimento cair para 7% e tudo indica que essa taxa de expansão não deve passar de uma ilusão.

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