OSCAR DEL POZO / AFP
OSCAR DEL POZO / AFP

Restos do ditador Franco serão exumados até 25 de outubro, diz governo espanhol

Atualmente enterrados no mausoléu Vale dos Caídos, restos serão realocados em uma cripta privada do cemitério de Mingorrubio-El Pardo

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 19h41

MADRI - O governo da Espanha anunciou nesta sexta-feira, 11, que até o dia 25 de outubro exumará os restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu onde jaz para realocá-los em uma cripta privada discreta, onde não possa ser enaltecido. 

"Em 25 de outubro, os restos mortais de Franco não estarão no Vale dos Caídos", disse a jornalistas a vice-premiê socialista, Carmen Calvo.

O general de origem galega, vencedor da guerra civil de 1936-1939 e que esteve à frente do país até sua morte, em 1975, está enterrado desde então no Vale dos Caídos, um enorme mausoléu católico localizado cerca de 50 km a noroeste de Madri, visitado a cada ano por milhares de turistas e por alguns nostálgicos que continuam enaltecendo sua figura publicamente.

Os restos mortais, anunciou o governo anteriormente, serão realocados em uma cripta privada do cemitério de Mingorrubio-El Pardo, onde estão os restos da mulher do ditador, Carmen Polo.

Carmen Calvo defendeu a medida. "O ditador não pode estar em uma tumba do Estado", e disse que a operação será realizada com "a maior discrição e respeito possíveis".

A família e a imprensa serão avisados 48 horas antes, e o traslado dos restos pode ser feito em helicóptero, embora o governo ainda não tenha decidido.

A exumação ocorrerá a poucos dias das eleições legislativas de 10 de novembro, nas quais o PSOE espera vencer e assim poder formar governo.

O Supremo Tribunal espanhol aprovou em 24 de setembro a exumação de Franco, depois de uma disputa judicial entre o governo do social-democrata Pedro Sánchez e os descendentes do ditador.

A medida tem uma grande carga ideológica, em um país em que o 'fantasma' de Franco se tornou ultimamente uma arma  entre os partidários da exumação e os que a veem com desdém - caso do conservador Partido Popular - ou com aberta hostilidade, no caso do partido de extrema direita Vox. "É uma grande conquista que significa fechar com dignidade o que não era digno, 40 anos depois", afirmou Carmen Calvo. / AFP 

 

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