Restos mortais de vice de Hitler são queimados

BERLIM - Os restos mortais de Rudolf Hess, um dos políticos mais próximos do líder nazista Adolf Hitler, foram cremados nesta quinta-feira, 21. As cinzas foram espalhadas no mar em um local não divulgado, segundo o administrador do cemitério de Wunsiedel, Andreas Fabel.

AE, Agência Estado

21 de julho de 2011 | 14h52

 

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O túmulo em que estavam os restos mortais, em uma pequena cidade da Baviera, havia se tornado um local de peregrinação neonazista. Antes do amanhecer desta quinta, funcionários do cemitério exumaram os ossos de Hess.

 

Hess foi capturado em 1941 quando desceu de paraquedas na Escócia com a missão de negociar a paz entre a Grã-Bretanha e a Alemanha. A tentativa foi condenada por Hitler e Hess disse mais tarde às autoridades britânicas que o líder nazista não sabia nada a respeito da missão.

 

Nos últimos anos, Hess passou a ser visto como um mártir pela extrema-direita e milhares de neonazistas usam seu aniversário como uma ocasião para realizar grandes manifestações. Wunsiedel, perto da fronteira com a República Checa, era o centro dos encontros.

 

A maioria das manifestações foi proibida desde que leis rígidas foram implementadas em 2005, mas o túmulo continuava a atrair extremistas de extrema-direita para a cidade. Com a aproximação da data da renovação da concessão da sepultura, em outubro, os parentes de Hess e a igreja luterana da cidade decidiram que o melhor era retirar os restos mortais, disse Fabel. "Os dois lados foram favoráveis à medida", disse ele.

 

Para Charlotte Knobloch, líder da comunidade judaica alemã, a medida envia uma "mensagem clara". "Estou feliz que a sombra nazista sobre Wunsiedel tenha finalmente chegado ao fim".

 

Sobreviventes do Holocausto saudaram a decisão. "Há agora um lugar maldito a menos no mundo", disse Elan Steinberg, da Associação Americana de Sobreviventes do Holocausto e seus Descendentes, sediada em Nova York.

 

Histórico

 

Hess foi confidente de Hitler desde o começo e, quando Hitler esteve preso na década de 1920, o líder nazista ditou a maior parte de seu manifesto "Mein Kampf" ("Minha Luta") para ele.

 

Posteriormente, Hess chegou ao posto de vice líder nazista, mas em 1941 sua influência sobre Hitler estava diminuindo. Seu voo sobre a Escócia é visto por historiadores como uma tentativa de restaurar sua importância. Em vez disso, Hitler disse que a medida foi delirante e os britânicos o trataram como um prisioneiro de guerra.

 

Durante os julgamentos de Nuremberg, Hess foi inocentado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a paz e conspiração para cometer crimes contra a paz. Ele era o último prisioneiro do presídio Spandau Prison, na então Berlim Oriental, quando morreu em 17 de agosto de 1987, com 93 anos.

Autoridades aliadas disseram que ele se enforcou com um fio elétrico. A prisão foi demolida logo depois que os escombros foram colocados num local secreto. Hess foi enterrado no túmulo da família em Wunsiedel, como havia pedido. As informações são da Associated Press.

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