Neil Hall/EFE/EPA
Neil Hall/EFE/EPA

Restrições podem durar mais tempo na Inglaterra

Com mais de 60 mil novos casos, Reino Unido bate novo recorde diário de registros e ministro fala em ampliar lockdown até março

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2021 | 16h32

LONDRES - O Reino Unido registrou nesta terça-feira, 5, 60.916 novos casos de covid-19 em 24 horas, um novo recorde diário no país. Foi o segundo dia consecutivo que o país reportou um novo máximo de infecções diárias e o sétimo em que ultrapassou as 50 mil notificações. Ainda na terça-feira, o ministro de Gabinete, Michael Gove, disse que o lockdown que começou na segunda-feira pode durar até março e não fevereiro, como era previsto.

De acordo com Gove, o prazo para a manutenção das restrições vai depender da velocidade da vacinação em todo o país. 

“Não podemos prever com certeza que conseguiremos suspender as restrições na semana que começa de 15 a 22 (de fevereiro). O que faremos é tudo que pudermos para garantir que o maior número possível de pessoas seja vacinado para que possamos começar a suspender progressivamente as restrições”, disse emissora Gove à Sky News na terça-feira. “Acho que é certo dizer que, ao entrarmos em março, devemos ser capazes de retirar algumas dessas restrições, mas não necessariamente todas.”

O Reino Unido começou a administrar duas vacinas, uma feita pela Pfizer e BioNTech e outra pela Universidade de Oxford e AstraZeneca, e mais de 1 milhão de pessoas já receberam a primeira dose.

As restrições impostas na segunda-feira são as mais severas desde março. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse, ao anunciar as medidas, que as próximas semanas serão as “mais difíceis até agora”.

Entre as restrições impostas pelo governo britânico está o fechamento das escolas, medida que foi criticada, pois algumas crianças já haviam retornado às aulas presenciais. Gove admitiu que a administração esperou até o último momento e só impôs as novas restrições quando não havia mais alternativa. 

Com o novo lockdown na Inglaterra, as escolas estão sem aulas presenciais para a maioria dos alunos, as pessoas devem trabalhar em casa, se possível, e todas as lojas não essenciais devem manter as portas fechadas. Os órgãos executivos semiautônomos na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte impuseram medidas semelhantes.

“Fechar escolas é realmente o último recurso. Nenhum de nós queria fazer isso. Todos nós sabemos por que é tão importante que as crianças recebam a melhor educação possível”, disse Gove à Sky News. “As autoridades médicas de todas as partes do Reino Unido julgaram ontem (segunda-feira) que precisávamos passar para o nível de alerta mais alto contra essa infecção. Não nos restou outra alternativa a não ser dar todos os passos que pudéssemos.” Segundo o primeiro-ministro, com a atual a velocidade do contágio o sistema de saúde entraria em colapso em 21 dias.

Nova cepa

Uma variante mais contagiosa do vírus identificada no país seria a grande responsável pelo alto número de novos casos de covid-19. 

“O rápido aumento de casos é muito preocupante e, infelizmente, significará ainda mais pressão sobre nossos serviços de saúde no auge do inverno”, disse Yvonne Doyle, diretora médica da Public Health England (PHE, na sigla em inglês, agência de saúde pública do país). Só na Inglaterra, pelo menos 27 mil pessoas estão internadas com covid-19, 40% a mais do que durante o primeiro pico da epidemia no país em abril./REUTERS e AFP

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