Resultado da eleição faz Bolsa de Lima cair e suspender operações

Nervosismo viria da indefinição do novo ministro da Economia e de boatos de um imposto para as mineradoras

Fernando Gabeira, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

LIMA

O primeiro susto vivido pelos peruanos após a eleição de Ollanta Humala como novo presidente do país foi uma queda de 8,71%, que fechou ontem a Bolsa de Valores de Lima por mais de duas horas. O pregão foi reaberto no início da tarde, mas encerrou o dia com queda de 12,45%, após registrar a maior baixa de sua história: 12,51%.

Uma das razões do nervosismo era a promessa de um imposto especial sobre as empresas mineradoras, que, segundo Humala, obtêm lucros excessivos. O presidente da Bolsa, Roberto Hoyle, disse que o nervosismo do mercado vem também da expectativa sobre o nome do novo ministro da Economia e o do presidente do Banco Central.

Para alguns economistas, o fechamento da Bolsa na parte da manhã foi precipitado, uma vez que não faz sentido anunciar os ministros antes do resultado oficial das eleições. A equipe econômica de Humala, a mesma que trabalhou com o ex-presidente Alejandro Toledo, pediu ao governo um plano de contingência contra ataques especulativos.

Alan García diz que tem um plano de contingência. A ex-ministra da Economia Mercedes Araoz, porém, afirma que o governo pode influir na taxa de juros ou comprar dólares, mas que nada pode fazer em relação a ataques na Bolsa de Valores.

Para Kurt Borneo, da equipe que formulou a política econômica de Humala, o próximo governo dará prioridade ao crescimento econômico com justiça social. Segundo ele, a independência do Banco Central será mantida, assim como regime de metas de inflação, que este ano é de 3,5%, mas que pode subir para 4,5%.

O nervosismo na Bolsa foi previsto pelo economista Pedro Pablo Kuczynski, um dos candidatos derrotados no primeiro turno. Segundo ele, as empresas mineradoras estão preocupadas com um aumento de impostos.

Ao Estado, Hoyle disse que o peso das mineradoras no movimento da Bolsa é de 60%. Ele rejeitou, porém, que seja essa a razão do nervosismo. "Tanto o programa de Humala como o de Keiko tratavam desse tema. O mais importante é o nome do ministro da Economia." Nas ruas de Lima, a população tenta agora voltar ao ritmo normal.

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