Resultado dá largada à disputa de 2011

Com derrota dos Kirchners, rivais se destacam para eleição presidencial

Denise Chrispim Marin e Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A derrota do governo de Cristina Kirchner nas eleições parlamentares de domingo marca o início da corrida presidencial de 2011 na Argentina. As urnas, aparentemente, enterraram de vez a ambição do ex-presidente Néstor Kirchner de substituir sua mulher na Casa Rosada e destacaram os rivais dos Kirchner como potenciais concorrentes às próximas eleições, em especial o atual vice-presidente, Julio Cobos.Entretanto, a votação também mostrou que, em 2011, dificilmente os argentinos terão como opção um candidato sem nenhuma ligação, no passado, com o peronismo. Cobos surge como um dos grandes vencedores da eleição parlamentar, ao ver a vitória de seus aliados na província natal de Mendoza, e tende a consolidar a posição de candidato anti-Kirchner. Rompido com o casal Kirchner desde julho, quando deu o voto decisivo no Senado contra o projeto de aumentar impostos de exportação agropecuária, Cobos vinha sendo tratado como um pária na Casa Rosada. Ontem, foi chamado por Cristina para a reunião de gabinete sobre os rumos do governo. Entre os "peronistas desde criancinha", a disputa será mais intrincada para 2011. O ex-presidente do Boca Juniors Maurício Macri, hoje prefeito de Buenos Aires pelo Partido Proposta Republicana, conseguiu atrair dissidentes peronistas para formar a coalizão União-Pro, que saiu vitoriosa no domingo. Apoiou a chapa liderada por Francisco de Narváez, que derrotou Kirchner na Província de Buenos Aires, e foi o padrinho da chapa de Gabriela Michetti, companheira de partido que desbancou por larga margem a opção governista na capital. Mas se por um lado demonstrou alguma habilidade política, Macri também encarnou a imagem de mau administrador que se refletiu na perda de votos em Buenos Aires. Em 2007, foi de 45,7%. No domingo, baixou para 31,1%.De Narváez, por enquanto, não entra no páreo de 2011 porque nasceu na Colômbia e depende de uma mudança na legislação para poder se candidatar. Derrotada por Cristina, em 2007, a deputada Elisa Carrió não conseguiu se reeleger. Mas a coalizão que ela ajudou a forjar, o Acordo Cívico e Social, tornou-se a maior força de oposição no Congresso e pode impulsionar sua candidatura. O núcleo duro do peronismo tende a se reorganizar em torno do ex-piloto de Fórmula 1 e ex-governador de Santa Fé Carlos Reutmann, que renovou sua cadeira no Senado com uma bandeira anti-Kirchner. Kirchner, que deixou a liderança do Partido Justicialista (peronista), deve se autoexilar por algum tempo. Até domingo, ele tinha no governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, uma alternativa para o caso de não se lançar candidato em 2011. Mas Kirchner obrigou Scioli a aderir à chapa oficial e, juntos, deram-se um abraço de afogados.De olho em 2011Julio CobosVice-presidenteRompeu com Cristina em julho de 2008. Suas ambições presidenciais foram reforçadas pela vitória de seus aliados em Mendoza, sua província natalCarlos ReutemannSenador reeleito por Santa FéÉ representante do peronismo dissidente, mas também pode sair como candidato de consenso de peronistas aliados dos Kirchners e peronistas dissidentesMauricio MacriPrefeito de Buenos AiresPresidente do Partido Proposta Republicana (centro-direita), ganhou força com a vitória de seus aliados. Seu partido é ligado ao peronismo dissidenteElisa CarrióLíder da Coalizão CívicaEm 2007 ficou em 2.º nas eleições presidenciais. Suas chances dependem do protagonismo que sua coalizão, a principal de oposição, tenha no LegislativoDaniel ScioliGovernador da Província de Buenos Aires Foi vice-presidente de Néstor Kirchner e é cogitado como presidenciável para iniciar um ?kirchnerismo sem os Kirchners?, mais moderadoFrancisco de NarváezLíder do peronismo dissidenteEstrela desta eleição, é responsável pela 1.ª derrota de Kirchner. Mas sua candidatura depende de encontrar brecha na lei que proíbe eleição de quem nasceu fora do país

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