Resultado de ação deve influenciar eleição de fevereiro

Se ofensiva for bem-sucedida, Ehud Barak, ministro da Defesa e candidato trabalhista, ganhará força política

Michel Gawendo, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

O desfecho da operação militar lançada por Israel contra o grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza definirá a eleição para primeiro-ministro do país, marcada para fevereiro. Essa é a opinião do analista estratégico Dan Diker, do Instituto de Assuntos Contemporâneos, de Jerusalém. "Se houver sucesso, Ehud Barak (ministro da Defesa) levará todo o crédito e terá vantagem. Mas ainda é cedo para dizer quem pagará o preço por um eventual fracasso", disse Diker ao Estado. "Em situações como esta, o primeiro-ministro paga o preço por fracassos. Mas (Ehud) Olmert já renunciou e provavelmente deixará a vida política. A candidata de seu partido, Tzipi Livni, não será manchada." Barak será candidato pelo Partido Trabalhista, tendo como adversária Tzipi Livni, ministra do Exterior e presidente do partido Kadima. Oficialmente, o governo de Israel afirma que a data escolhida para o início dos ataques não tem relação com o processo político. Mas analistas israelenses dizem que o período de férias entre o Natal e o ano-novo foi propício, já que a pressão mundial seria mais leve. Na avaliação dos israelenses, somente medidas econômicas contra o país seriam efetivas neste momento para obrigar um cessar-fogo. Para Diker, o governo israelense decidiu iniciar a operação agora também para aproveitar o apoio que ainda tem da administração de George W. Bush, que deixará a presidência dos EUA em janeiro. "Os militares israelenses vinham pressionando há dois anos o governo Olmert para atacar Gaza. Só agora o premiê resolveu agir porque sabe que ainda tem um resto de apoio americano", disse o especialista pela Universidade de Harvard. Mas Diker tem dúvidas em relação ao posicionamento do presidente eleito dos EUA, Barack Obama. "Muita gente afirma que ele terá uma posição mais crítica em relação a Israel. Mas isso não é certo", afirmou. "Obama esteve em Israel em julho e deixou claro que entende a ameaça que o terrorismo representa ao mundo civilizado. Ele se encontrou com Olmert e com dirigentes militares de Israel e debateu segurança, sem criticar Israel em momento algum."ALIADOO governo de Bush é considerado o maior aliado de Israel na história. O atual presidente americano considera a guerra contra o terrorismo seu principal feito. Em 2006, quando Israel atacou o grupo islâmico Hezbollah, no Líbano, Bush apoiou o país e a diplomacia dos EUA atuou para evitar uma declaração de cessar-fogo na ONU. O apoio irrestrito continua. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, culpou o grupo radical pelo conflito, afirmando que o Hamas rompeu o cessar-fogo que durava desde julho. Diker afirma que o principal objetivo de Israel neste momento é conseguir uma trégua com apoio da comunidade internacional. Para ele, o país não conseguirá acabar com a capacidade militar do Hamas. "O grupo palestino, na verdade, também quer uma trégua", disse. O analista lembra que antes da intifada palestina, no final dos anos 80, mais de 500 mil palestinos da Faixa de Gaza trabalhavam dentro de Israel. "Essa situação não voltará a existir. Mas certamente o Hamas tem interesse em manter-se no poder. E só conseguirá isso se sobreviver aos ataques israelenses."

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