Resultado de eleição local é revés para Merkel

O partido da chanceler alemã, Angela Merkel, sofreu nas eleições regionais de ontem um revés que pode complicar seus planos para formar um governo de centro-direita após as eleições legislativas de 27 de setembro. As expectativas do governo em relação à votação regional - realizada nos Estados de Sarre, Turíngia e Saxônia - eram grandes. Merkel e seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), têm uma vantagem de 12 a 15 pontos porcentuais sobre seus rivais de centro-esquerda nas pesquisas de intenção de voto para as eleições parlamentares. Segundo uma sondagem divulgada no sábado, 87% dos alemães acreditam que Merkel ganhará um segundo mandato. Esperava-se que as eleições regionais refletissem essa vantagem, mas não foi o que ocorreu. Em Sarre, na fronteira com a França, e na Turíngia, no leste ex-comunista do país, os líderes democratas cristãos, que estiveram no poder por mais de dez anos, viram cair seu apoio em mais de 10 pontos porcentuais em comparação a 2004, perdendo a maioria absoluta que tinham nesses Estados até então. Na votação no Estado da Saxônia, a CDU, ao que tudo indica, poderá manter o poder, mas terá de se aliar com o Partido Democrático Livre. "A CDU continua a ser o partido mais forte nos três Estados, mas sofreu um revés significativo", disse Gerd Langguth, cientista político da Universidade de Bonn. "Isso demonstra que as eleições parlamentares não são um assunto encerrado."É verdade que também há sinais positivos para Merkel nos resultados das eleições regionais - como a vitória na Saxônia e o fato de o Partido Social-Democrata não ter avançado tanto. Mas os riscos a sua liderança aumentaram. Segundo analistas, qualquer queda em sua popularidade pode pôr em perigo as esperanças da chanceler de conseguir formar um governo de centro-direita no próximo mês com os democratas livres e obrigá-la a criar uma coalizão mais ampla com grupos opositores. Isso a impediria de impulsionar pontos-chave de sua agenda política como o corte de impostos.

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