Resultado é um pedido de diálogo, dizem analistas

Os bolivianos pediram diálogo no referendo revogatório do domingo e, segundo analistas, o presidente Evo Morales deu sinais de que percebeu essa demanda. Resta saber se ele está de fato disposto a ceder para que governo e oposição saiam dessa situação de empate técnico que a consulta só ajudou a aprofundar. Na votação, os bolivianos ratificaram tanto o mandato do presidente quanto os dos governadores dos Departamentos opositores (Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando). "Após o anúncio de que havia conseguido mais de 60% dos votos (segundo pesquisas de boca-de-urna), Evo obteve uma segunda vitória ao fazer um discurso conciliador, pedindo unidade e oferecendo diálogo à oposição, enquanto o governador de Santa Cruz, o opositor Rubén Costas, anunciou medidas provocativas para La Paz, como a formação de uma polícia e uma agência tributária locais", disse o cientista político Johnny Villarroel, da Universidade Mayor de San Andrés. O discurso agradou a princípio, mas para o analista político Gonzálo Chávez, da Universidade Católica da Bolívia, ele poderia ter indicado que está disposto a negociar, com o anúncio de medidas como a devolução de parte dos recursos dos hidrocarbonetos - hoje usados pelo governo - aos governadores. Para os analistas, o referendo expôs a polarização no país. O apoio a Evo aumentou no ocidente, especialmente nas áreas rurais. No oriente, os líderes regionais saíram fortalecidos. A oposição perdeu dois governos locais - Manfred Reyes Villa, de Cochabamba, e José Luis Paredes, de La Paz, tiveram seus mandatos revogados - e um governista perdeu em Oruro. Em junho, a opositora Sabina Cuéllar venceu as eleições em Chuquisaca (que não participou da consulta), o que faz com que a oposição ainda tenha um placar favorável: cinco Departamentos contra o presidente e quatro a favor. "Não há dúvida de que o diálogo é a única forma de resolver esse impasse e conciliar os projetos autonômicos dos opositores com as propostas de Evo", diz Chávez. "Mas, para isso, os dois lados têm de estar dispostos a ceder e, até agora, ninguém deu sinais concretos disso."

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