Paolo Bona/Reuters
Paolo Bona/Reuters

Resultado final mostra derrota do partido de Berlusconi

Centro-direita perdeu o governo em Milão, Nápoles, Cagliari e Trieste para a centro-esquerda

Agência Estado

30 de maio de 2011 | 16h24

ROMA - A coalizão do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, teve uma grande derrota em importantes eleições locais em Milão, Nápoles, Cagliari e Trieste, como mostra a contagem final dos votos, divulgada nesta segunda-feira, 30.

 

Segundo os números totalizados, a candidata de centro-direita de Milão, a atual prefeita Letizia Moratti, ficou com apenas 44,8% dos votos, na cidade de origem e base política de Berlusconi. Já o candidato de centro-esquerda, o advogado Giuliano Pisapia, obteve 55,1% dos votos.

 

Em Nápoles, o ex-procurador Luigi De Magistris derrotou seu rival, o candidato de centro-direita Gianni Lettieri, com surpreendentes 65,3% contra 35,6%. De Magistris foi eleito pela Itália dos Valores, partido de esquerda fundado pelo ex-juiz Antonio di Pietro, que nos anos 1990 combateu a corrupção com a operação Mãos Limpas. Ele também recebeu apoio de outros partidos de esquerda para se eleger prefeito da terceira maior cidade italiana.

 

Em Cagliari, segundo informações da agência Ansa, a contagem final indica a vitória do candidato de centro-esquerda Massimo Zedda, com 59% dos votos, ante 41% de Massimo Fantola, candidato da centro-direita. Além da capital da Sardenha, a centro-esquerda liderava em outras cidades importantes, como Novara, Grosseto e Crotona. Roberto Consolini, candidato de centro-esquerda, venceu as eleições em Trieste com 57% dos votos.

 

No total, 5,5 milhões de italianos estavam habilitados a votar ontem e hoje e a participação ficou em 60% do eleitorado - em Milão, alcançou 67,2%, um sinal de como a disputa foi importante na capital da Lombardia.

 

"Esta eleição marca uma clara derrota da direita, uma derrota estratégica", disse Stefano Folli, analista político. "Ela indica que a estação política de Berlusconi está chegando ao fim. Agora, a questão é se ele será capaz de administrar a própria sucessão", afirma. As eleições gerais ocorrerão em 2013 na Itália.

 

A derrota em Milão, a primeira em duas décadas, pode ser um revés fatal para o líder italiano e seu governo cada vez mais dividido, que luta para enfrentar uma crise econômica e reduzir a pesada dívida pública italiana. Milão, centro financeiro, industrial e da moda na Itália, também é sede do Mediaset e da Mondadori, o império midiático e editorial de Berlusconi. Além disso, o magnata de 74 anos é dono do AC Milan, um dos dois maiores de times de futebol do país.

 

Abalado por vários escândalos sexuais com prostitutas e por julgamentos de evasão fiscal, Berlusconi afirma que concluirá seu mandato em 2013. O primeiro-ministro sofreu uma surpreendente derrota na primeira rodada das eleições, em 15 e 16 de maio, quando a centro-esquerda manteve com facilidade Turim e Bolonha sob seu comando. Além disso, provocou na ocasião o segundo turno em Nápoles e Milão, que eram bases da centro-direita.

 

Berlusconi depositava muitas esperanças na eleição em Milão, que segundo ele seria um referendo sobre sua administração. Porém nos últimos dias o primeiro-ministro garantiu que, mesmo se perdesse, completaria seu mandato.

 

Derrota

 

Berlusconi estava na Romênia hoje, para conversações bilaterais com o governo de Bucareste. Seus aliados reconheceram a derrota mas tentaram minimizar as repercussões políticas. "Não estamos perto do fim da era Berlusconi, ou então do governo Berlusconi", disse Fabrizio Cicchitto, aliado do premiê. Mas ele reconheceu: "Precisamos de uma reflexão política necessária".

 

"É evidente que perdemos. Não existe outro jeito a não ser andar em frente, nossa maioria (de governo) ainda é compacta", afirmou Berlusconi na capital romena, em declarações à Ansa. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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