Emmanuel Herman/Reuters
Emmanuel Herman/Reuters

Resultado positivo para covid-19 em bode faz Tanzânia rever testes

Kits importados também foram testados em mamão papaia, que deu positivo para coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 07h00

Resultados positivos de coronavírus para um mamão papaia e outro para um bode abriram uma crise no governo da Tanzânia. Ontem, o presidente John Magufuli suspendeu o chefe do laboratório nacional de saúde, encarregado dos testes de coronavírus, e ordenou uma investigação sobre a precisão dos exames. 

No domingo, Magufuli disse que os kits importados tinham falhado depois de retornarem com resultados positivos em exames realizados em um bode e em um mamão papaia – entre várias amostras não humanas submetidas aos exames, feitos por técnicos que deliberadamente ocultaram suas origens.

O presidente não disse de onde os kits foram importados ou por que as autoridades suspeitaram dos resultados. A oposição acusa o governo da Tanzânia de omitir dados e de não levar a epidemia a sério. Freeman Mbowe, líder do Chadema, principal partido opositor, acusou Magufuli de “falta de transparência” durante a pandemia.

O presidente respondeu. “Pode ter havido erros técnicos ou os reagentes importados também podem ter apresentado problemas. Também é provável que os técnicos estejam sendo subornados para enganar as pessoas ”, afirmou o presidente, em discurso transmitido pela emissora pública TBC. 

Catherine Sungura, chefe interina de comunicação do Ministério da Saúde, disse ontem que o diretor do laboratório e o gerente de garantia de qualidade foram imediatamente suspensos “para abrir caminho para uma investigação”. Sungura explicou que um comitê de dez pessoas foi formado para investigar as operações do laboratório, incluindo seu processo de coleta e teste de amostras.

O presidente pediu ao novo ministro de Assuntos Constitucionais e Jurídicos, Mwigulu Nchemba, que chefie a investigação. Nchemba foi nomeado no lugar de Augustine Mahiga, de 74 anos, morto recentemente. Mahiga foi o terceiro deputado morto em 11 dias sem que nenhuma explicação sobre as causas da morte tenha sido divulgada. 

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No domingo, Magufuli também demitiu o chefe do Departamento Comercial Médico do governo, encarregado de distribuir suprimentos e equipamentos médicos para hospitais, mas não deu motivos.

Até ontem, a Tanzânia havia registrado 480 casos de covid-19 e 18 mortes, segundo contagem da agência Reuters com base em dados do governo e da Organização Mundial da Saúde. No entanto, diferentemente da maioria dos países africanos, a Tanzânia fica dias sem divulgar atualizações. O último boletim sobre os casos foi publicado no dia 29.

Além disso, enquanto a maioria dos países da região decretou medidas de confinamento e toque de recolher, a Tanzânia apenas fechou as escolas. O comércio e o transporte público continuam funcionando normalmente. 

As infecções e mortes por covid-19 relatadas em toda a África têm sido relativamente baixas em comparação com os Estados Unidos, partes da Ásia e da Europa. Mas a África também tem níveis extremamente baixos de testagem, com taxas de 500 por milhão de habitantes – nos EUA, esse índice chega a 22 mil por milhão de pessoas. / REUTERS e AFP

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