Baz Ratner / Reuters
Baz Ratner / Reuters

Resultados finais das eleições em Israel confirmam bloqueio político no país

Partido de Netanyahu deixa de ser o mais votado; coalizão Azul e Branco, do rival Benny Gantz, é a primeira força parlamentar com 33 das 120 cadeiras do Parlamento

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 09h37

JERUSALÉM - Os resultados finais das eleições de terça-feira em Israel, mesmo faltando algumas validações, confirmam o bloqueio político no país, sem maiorias parlamentares dos dois grandes blocos, e que o Likud, partido de Binyamin Netanyahu, deixa de ser o mais votado.

O Comitê Eleitoral Central israelense publicou nesta sexta-feira, 20, a primeira recontagem final, que não será definitiva até ser apresentada ao presidente Reuven Rivlin, no dia 25, mas sobre as quais não são esperadas mudanças substanciais e que corrobora que a coalizão centrista Azul e Branco, do ex-general Benny Gantz, é a primeira força parlamentar com 33 das 120 cadeiras, duas a mais que o Likud.

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A participação final alcançou 69,72% - 4,4 milhões dos 6,3 convocados para votação -, o que representa 1,8% a mais que no pleito do mês de abril.

O Azul e Branco supera o direitista Likud em 37 mil votos, que perdeu mais de 28 mil em comparação com as eleições de abril.

A Lista Unida, que agrupa os partidos árabes, se consolida como a terceira força com 10,62% dos votos e tem 13 assentos no Parlamento.

Em seguida estão o partido ultra-ortodoxo Shas, com 7,44% dos votos (9 assentos), o direitista Israel Beiteinou (“Israel Nosso Lar”) - do ex-ministro Avigdor Lieberman -, com 6,99% (8) e o ultraortodoxo Yaadout Hatorah (“Judaísmo Unido pela Torá”) com 6,06% (8).

Nos últimos lugares estão a coalizão de partidos de direita e extrema direita Yamina, com 5,88% (7 assentos), o Trabalhismo-Guesher, da aliança entre o histórico Partido Trabalhista com 4,80% (6) e o esquerdista União Democrática com 4,34% (5).

O partido Poder Judeu, considerado racista, não conseguiu superar os 3,25% necessários para entrar no Knesset, o Parlamento israelense.

Jerusalém e Tel Aviv

Em Jerusalém, o Likud conquistou 23% dos votos e deixou de ser o partido mais votado, abaixo do Yaadout Hatorah, com 25%.

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Já em outro grande centro urbano, Tel Aviv, o Azul e Branco perdeu cerca de três pontos porcentuais (de 46% para 43%), enquanto Israel Beiteinou aumentou até 4%, em comparação com o 1% obtido nas últimas eleições.

O Comitê Eleitoral não inclui nesta contagem os votos de 14 centros que estão sendo investigados e várias urnas revisadas por irregularidades. Por isso, o resultado final não será anunciado até quarta-feira.

Governo de união

Netanyahu, que joga sua sobrevivência política, pediu na véspera ao rival Gantz a formação de um governo de união nacional. O ex-general propôs a mesma coisa, mas com seu nome à frente do novo Executivo.

Reuven Rivlin, que tem a tarefa de solicitar a formação do governo a um dos candidatos depois de consultar todos os partidos no Parlamento, iniciará as consultas neste domingo. / EFE e AFP

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