AFP Photo/ Sputnik/ Alexey Nikolsky
AFP Photo/ Sputnik/ Alexey Nikolsky

Rússia eleva tom após ataque dos EUA à Síria, mas foge de conflito

Putin chama ataque de ‘agressão à soberania síria’, mas autoridades russas dizem que mísseis não atingiram militares ou feriram soldados

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 06h19

MOSCOU - A resposta da Rússia ao ataque conjunto de Estados Unidos, França e Reino Unido à Síria foi dura e imediata, mas deixou evidente um desejo russo de evitar confrontos e impedir uma escalada militar na região. 

Macron conversou com Putin antes do ataque

O presidente Vladimir Putin classificou o ataque contra instalações sírias como “uma agressão contra um Estado soberano”. “Com suas ações, os Estados Unidos agravaram ainda mais a catástrofe humanitária na Síria, levando sofrimento à população civil.”

Depois da mordida, veio o assopro. Autoridades russas deixaram claro que os mísseis da coalizão não cruzaram o “limiar que provocaria uma resposta militar”. Nesta sábado, o Ministério da Defesa da Rússia disse que nenhuma defesa aérea russa foi atingida, apesar de milhares de soldados russos estarem estacionados em toda a Síria. “Nenhum dos mísseis de cruzeiro entrou na zona de sistemas de defesa aérea russos.” Horas depois, a embaixada russa em Damasco fez questão de afirmar que “nenhum soldado russo foi ferido no ataque”.

As declarações foram significativas porque o chefe do Estado-Maior da Rússia, general Valery Gerasimov, tinha dito na sexta-feira que os militares russos reagiriam aos “ataques aéreos dos EUA que colocarem vidas russas em risco” derrubando os mísseis e potencialmente os navios ou aviões que os disparassem. Segundo o Washington Post, isso levou a especulações febris na televisão russa e de alguns políticos russos de que um ataque americano contra a Síria poderia rapidamente se transformar em um impasse nuclear tão perigoso quanto a crise dos mísseis cubanos, em 1962.

Ataque foi ‘agressão bárbara e brutal’, dizem fontes ligadas ao governo sírio

“O medo era palpável, mas a resposta calibrada de Moscou mostra o equilíbrio do Kremlin”, afirmou ao Washington Post, Vladimir Frolov, analista independente de política externa. “Moscou tenta expandir sua influência no exterior, mas busca manter o controle sobre o quanto as tensões aumentam.”

Hipóteses

Mesmo que os cenários apocalípticos pareçam ter sido evitados, o confronto retórico da semana passada sobre a Síria aprofundou um confronto Leste-Oeste que continua a se intensificar. Putin, em sua condenação aos ataques aéreos deste sábado, criticou mais de duas décadas de intervenções lideradas pelos americanos que alteraram a ordem internacional. “A atual escalada da situação em torno da Síria é destrutiva para todo o sistema de relações internacionais”, disse Putin.

As relações entre Moscou e Washington podem ficar ainda piores. Em uma advertência ao Ocidente contra novos ataques na Síria, o Ministério da Defesa russo disse que está considerando armar Assad com sistemas de mísseis terra-ar de longo alcance S-300 pela primeira vez.

Konstantin Gaaze, um analista de relações internacionais independente, escreveu em sua conta no Twitter que Moscou não quer um confronto com os americanos às vésperas de um encontro entre Putin e Trump. “O Kremlin está na esfera da retórica, por enquanto. Mas qualquer deslize pode deixar as coisas muito piores.” / W. POST e NYT

ONU pede ‘moderação’ para evitar escalada de tensão na Síria após ataques

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.