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Retenção de fragata argentina derruba chefe de inteligência

Navio está em Gana há 18 dias a pedido de um fundo de investimentos que cobra calote do governo de Cristina

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h00

A retenção da fragata Libertad, o histórico navio-escola da Marinha argentina, no porto de Tema, em Gana, provocou a queda de mais um integrante do governo da presidente Cristina Kirchner. A nova vítima do escândalo que a oposição e a imprensa estão chamando de papelão é a chefe do Departamento Nacional de Inteligência Estratégica Militar da Argentina, Maria Lourdes Puente Olivera, que renunciou ao cargo.

A Libertad completa hoje 18 dias de retenção no golfo da Guiné, a pedido de um fundo de investimentos dos EUA, o NML-Elliot, que possui títulos da dívida pública argentina que estão em estado de calote desde dezembro de 2001. A Justiça de Gana emitiu um parecer a favor do NML-Elliot, que exige que a Argentina pague os títulos integralmente. O tribunal ganense afirma que liberaria o navio caso o governo Kirchner pague a fiança de US$ 20 milhões.

No entanto, Cristina Kirchner afirma que não pagará a fiança nem o fundo de investimento. Ela e seus ministros chamam o NML-Elliot de "fundo abutre".

Na quinta-feira, durante uma cerimônia religiosa na província de Corrientes, Cristina invocou a intercessão divina e pediu a proteção da Virgem de Itatí contra "aqueles lá de fora" que querem cravar suas garras na Argentina.

Maria Lourdes - a primeira e única mulher que comandou um organismo de inteligência do Estado argentino - foi acusada pelo jornal Página 12, alinhado com o governo, de integrar uma suposta conspiração de um setor da Marinha para prejudicar a imagem da presidente Cristina com a retenção da fragata na costa africana.

Na segunda-feira renunciou o chefe da Marinha argentina, almirante Carlos Alberto Paz. O próprio ministro da Defesa, Arturo Puricelli, segundo rumores em Buenos Aires, estaria com os dias contados. No entanto, a oposição afirma que além da Armada e do Ministério da Defesa, também foram ingênuos a chancelaria argentina e o secretário de comércio interior, Guillermo Moreno.

Na semana passada o governo Kirchner enviou a Gana o vice-chanceler Eduardo Zuaín e o vice-ministro da Defesa, Alfredo Forti, para tentar liberar o navio. Ontem, ambos representantes argentinos voltavam à Buenos Aires sem resultados. Os mais de 300 marinheiros argentinos, além de três dezenas de convidados especiais uruguaios e chilenos, permaneciam em Tema, aguardando uma solução para o impasse.

Enquanto isso, o NML-Eliott ofereceu ao governo argentino arcar com os custos da repatriação dos tripulantes da fragata.

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