Youssef Rabie Youssef / EFE
Youssef Rabie Youssef / EFE

Retirada da Síria ignora ameaça de ressurgimento da Al-Qaeda

Em discurso, Trump deve defender saída de tropas do território sírio em discurso do Estado da União, mas região não está livre dos terroristas islâmicos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2019 | 20h07

WASHINGTON - Enquanto o presidente Donald Trump se prepara para defender a retirada de soldados da Síria no discurso do Estado da União desta terça-feira, 4, os republicanos pressionam com vigor. O extremismo islâmico, segundo eles, está longe de ser extinto, como o presidente afirma.

Há muitas evidências de que os críticos estão certos quanto a isso, o que não se traduz necessariamente em motivo para permanecer na Síria, pois as tropas dos EUA não estão nem de longe envolvidas na luta contra a maior força jihadista remanescente lá – que é a Al-Qaeda, não o Estado Islâmico.

Com o poderio militar de EUA, Rússia e Irã contra o grupo, além de uma série de aliados locais, o EI nunca teve muita chance de manter a Síria e o Iraque que subjugou há alguns anos. E não conseguiu. Foi varrido do mapa, embora milhares de seus combatentes permaneçam à solta e perigosos. Trump disse à CBS News que o autoproclamado califado foi destituído de 99% de seu território durante seu mandato, e logo “chegaremos a 100%”.

Depois de oito anos de guerra civil, o maior pedaço do território sob controle dos jihadistas na Síria agora pertence à Al-Qaeda, inimigo original dos EUA na guerra global contra o terror. Quase duas décadas depois dos ataques do 11 de Setembro, a afiliada síria do grupo está em ação, confiscando a Província de Idlib em um avanço dramático no mês passado. Sua força militar é estimada em dezenas de milhares, talvez a maior concentração de jihadistas armados já reunidos em um só lugar.

Mas os militares americanos não estão lutando contra isso – e, provavelmente, não o farão, mesmo se Trump abandonar seu plano de se retirar. Isso porque a Rússia e o Irã dão as ordens no noroeste da Síria. E, no momento, também não estão totalmente engajados contra a Al-Qaeda.

“O problema da jihad na Síria não acabou”, disse Ayham Kamel, do Eurasia Group, resumindo a complexa situação. “O EI está praticamente derrotado, quer os EUA tenham tropas no território ou não”, disse Kamel. “A Al-Qaeda na Síria é muito mais problemática agora, embora o EI ainda domine a maior parte das discussões, pois é o bicho-papão que todos usam.”

Há também uma outra razão não oficial: o Irã. Combatentes iranianos, juntamente com o poder aéreo russo, ajudaram o presidente sírio, Bashar Assad, a vencer a guerra civil contra rebeldes e jihadistas. Até o tuíte de Trump, em dezembro, dizendo que queria sair da Síria, as autoridades americanas citavam a necessidade de combater o Irã como justificativa para uma presença prolongada. / W. POST, TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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