Youssef Rabie Youssef / EFE
Youssef Rabie Youssef / EFE

Retirada das tropas americanas da Síria permitirá que EI se reconstrua, diz coalizão curdo-árabe

Forças Democráticas Sírias ressaltaram intenção de seguir com a ofensiva contra os jihadistas; ao contrário do afirmado por Donald Trump, Reino Unido e França acreditam que grupo extremista ainda não foi vencido

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2018 | 09h49
Atualizado 20 de dezembro de 2018 | 14h08

LONDRES - A retirada das tropas americanas da Síria permitirá que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) se reconstrua, alertaram nesta quinta-feira, 20, as Forças Democráticas Sírias (FDS). “Terá um impacto negativo na campanha antiterrorista”, declarou em um comunicado a coalizão curdo-árabe que combate militarmente os extremistas.

“Isso oferecerá ao terrorismo” uma “oportunidade de se recuperar e lançar uma nova campanha na região”. As FDS, junto à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, seguem combatendo os jihadistas do EI em suas últimas áreas de resistência no leste da Síria, perto da fronteira com o Iraque. Atualmente, cerca de 2 mil soldados americanos se encontram no território sírio, sendo a maioria integrantes das forças especiais que apoiam as FDS nas operações de combate e treinamento.

A coalizão ressaltou ainda a intenção de seguir com a ofensiva contra os jihadistas. "A batalha (no bolsão) de Hayin continua por enquanto", disse o porta-voz das FDS, Mustafá Bali.

Ao contrário do afirmado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao anunciar a retirada unilateral de suas tropas no país, o EI ainda não foi vencido na Síria, disse o Ministério britânico das Relações Exteriores.

"A coalizão internacional contra o Daesh (sigla árabe para EI) fez enormes progressos", afirmou a chancelaria em um comunicado divulgado na noite de quarta-feira. "Desde o início das operações militares, a coalizão e seus sócios na Síria e no Iraque retomaram grande parte do território do Daesh e foram registrados importantes avanços nos últimos dias na última zona do leste da Síria ocupada pelo Daesh", reconheceu.

Contudo, o órgão destacou que “resta muito a ser feito e não podemos perder de vista a ameaça que representam. Inclusive sem território, o Daesh continua sendo uma ameaça".

O Reino Unido, que participa dos bombardeios aéreos realizados pela coalizão, permanece "comprometido com a coalizão internacional e sua campanha para privar o Daesh de todo território e garantir uma derrota duradoura".

Provocando surpresa, Trump afirmou na quarta-feira que chegou a hora de devolver "para casa" os soldados americanos enviados à Síria para combater o EI. Segundo o jornal britânico The Times, Londres não foi informado previamente sobre a decisão do líder americano.

Apesar do anúncio, a França, por sua vez, destacou que vai manter sua presença militar na Síria, segundo declaração da ministra de Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau. "Por enquanto, continuamos na Síria", disse ela à emissora francesa CNEWS.

"O Daesh não foi varrido do mapa, tampouco as suas raízes", afirmou a ministra em sua conta no Twitter. "Temos de vencer militarmente e de forma definitiva os últimos bolsões desta organização terrorista", continuou, antes de reconhecer que, no entanto, o "Daesh está mais fraco do que nunca", após "perder mais de 90% de seu território".

A decisão dos EUA "nos faz refletir ainda mais sobre a necessidade de ter uma autonomia de decisão, uma autonomia de estratégia na Europa", e "isso mostra que podemos ter prioridades diferentes" das de Washington, ressaltou a ministra.

A França também faz parte da coalizão, com caças americanos majoritariamente na Jordânia e artilharia na fronteira iraquiana com a Síria em apoio às FDS.


O governo da Alemanha criticou a decisão dos EUA e também considerou que "a ameaça" representada pelo EI "não terminou". "O EI se retirou de posições, mas a ameaça persiste", declarou o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, acrescentando que a medida "prejudica" a luta contra a organização e põe em perigo os êxitos alcançados até agora.

"Continuam ativas estruturas do EI no leste da Síria", disse Maas, que argumentou que a luta contra essa organização deve ser entendida como "de longo percurso" e na qual devem ser empregados meios militares e civis. / REUTERS, AFP e EFE

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