Retirada dos EUA piora a violência no Iraque

Conflito sectário se agravou e número de mortos aumentou depois que os americanos entregaram aos iraquianos o controle e a segurança do país

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h04

Desde a retirada das tropas americanas do Iraque, em 18 dezembro, o país vem enfrentando uma escalada no conflito sectário - entre sunitas, xiitas e curdos que compõem sua população. De acordo com analistas, o aumento na violência está relacionado com a ausência dos EUA no controle da segurança e na coordenação das forças de polícia locais.

Segundo cálculos feitos com base em registros da organização não governamental Iraq Body Count - que compila dados sobre ataques armados que resultam em mortes no país desde a invasão americana, em março de 2003 -, nos dois primeiros meses de 2012 houve um aumento de pelo menos 20% no número de vítimas dos atentados ocorridos em território iraquiano com relação ao mesmo período no ano passado.

"As sombras de uma guerra civil sempre estiveram presentes, mas recuavam desde 2007. Para operar uma reconciliação, um governo de coalizão real é necessário", afirmou o analista iraquiano Saad Jawad, da London School of Economics. "Xiitas, sunitas e curdos estruturaram-se em organizações e partidos. Na superfície, seus objetivos são políticos, ou seja, governar, mas, na realidade, os grupos têm objetivos sectários", disse Jawad, que lecionou por 30 anos na Universidade de Bagdá antes de se mudar para a Grã-Bretanha.

De acordo com as estimativas, pelo menos 263 pessoas foram mortas em ações violentas no Iraque, em fevereiro - enquanto 220 morreram no mesmo período em 2011. Em janeiro, foram 427 pessoas assassinadas, enquanto 354 foram mortas do mesmo período do ano passado.

"Houve um aumento nos ataques terroristas desde a retirada dos EUA. Tanto civis, na maioria xiitas, como funcionários do governo, principalmente membros das forças de segurança, têm sido os alvos preferidos", afirmou Jawad. Em março, as mortes violentas seguiram crescendo, mas em ritmo menor. Foram 288 vítimas, 10 a mais do que no mesmo mês do ano passado.

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