Retirada militar do Afeganistão deve ser concluída até 2014, diz Otan

Obama promete não abandonar afegãos à própria sorte; crise pressiona custos da guerra

estadão.com.br,

19 de novembro de 2010 | 17h06

Ao lado de Hillary, Obama cumprimenta premiê britânico. Foto: Armando Franca/AP

LISBOA - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, defendeu nesta sexta-feira, 19, a conclusão da retirada das tropas do bloco no Afeganistão até 2014. Líderes do bloco estão reunidos em Lisboa, para uma cúpula de dois dias, que definirá os prazos para o fim dos combates no país asiático.

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"Vamos anunciar que a transição para o controle afegão deve começar em 2011", disse Rasmussen. "Esperamos que o processo seja concluído em 2014, quando as forças de segurança afegãs devem ter o controle de todo o país".

Para Mark Sedwill, representante civil da Otan no Afeganistão, a meta é realista e pode ser antecipada. "Claro que se as circunstâncias permitirem, isto pode acontecer até antes", disse.

Alguns comandantes militares da Otan e do Pentágono dizem que o prazo dificilmente deve ser cumprido, uma vez que militantes do Taleban têm ganhado cada vez mais força diante do enfraquecido governo afegão.

Obama

Em entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente americano, Barack Obama, disse que não irá abandonar os afegãos à própria sorte após 2014. "Este esforço leva tempo. Nosso comprometimento com o povo afegão é de longo prazo. Não podemos dar as costas a eles", afirmou.

 

Obama também defendeu uma integração do Taleban à sociedade afegã. "Os EUA e seus parceiros da Otan apoiam plenamente um processo de reconciliação e reintegração que busque a reincorporação na sociedade daqueles membros do Taleban que estejam de acordo com alguns pontos principais do acordo, como abandonar a violência e romper os laços com a Al-Qaeda", disse.

 

Pressão econômica

 

A crise econômica mundial, que afeta severamente países da Europa Ocidental e os EUA têm pressionado os membros da Aliança Atlântica a acelerar a retirada do conflito, que começou em 2001. O custo da guerra pesa no orçamento já combalido de países como o Reino Unido, que lançaram programas ofensivos de corte de gasto.

"Apesar de apoiarmos as difíceis decisões tomadas sobre a economia, como as que o presidente Obama tem tomado nos EUA, acreditamos que a missão no Afeganistão deve continuar", disse a secretária de Estado americana Hillary Clinton.

A Otan têm 140 mil soldados no Afeganistão. Cerca de dois terços deles são americanos. O Taleban tem cerca de 30 mil militantes.

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Com Reuters e AP

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