Korean Central News Agency/Korea News Service via AP
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Retomada da guerra mataria até 3 milhões, projeta estudo

Combates sem uso de armas nucleares teriam 70 mil mortes apenas no primeiro dia, veem pesquisadores dos EUA 

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2017 | 05h00

Uma nova guerra entre as duas Coreias começaria pelo ar, com envolvimento direto dos Estados Unidos e do Japão, mais a ação colateral da China, mas não teria armas atômicas. O primeiro movimento talvez seja o de um bombardeio maciço da aviação americana sobre Pyongyang, com apoio da frota de destróieres lançadores de mísseis Tomahawk, de alta precisão, também contra alvos estratégicos da infraestrutura do país – centrais de comunicações, estações geradoras de energia, sistemas viários e aeroportos. O fogo, no entanto, seria fortemente concentrado nas instalações dos programas de desenvolvimento dos dispositivos nucleares e de foguetes balísticos, nos secretos complexos de Yongbyon e Punggye-i. 

A reação da Coreia do Norte seria tremenda, por meio de sua tropa de 1,2 milhões de combatentes, com uso da poderosa artilharia de campo – 8.600 peças modernizadas de forma a elevar o alcance das granadas além de 45 quilômetros –, mais mísseis com cargas explosivas de alto rendimento e foguetes de saturação de área. 

No primeiro dia, morreriam cerca de 70 mil pessoas, entre militares e civis, no cenário do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade Georgetown, produzido para servir de referência para o Pentágono, a luta seguiria em frente por mais um mês, ou até cinco semanas no máximo. Até este momento haveria 3 milhões de baixas. A escalada continuaria.

“Essa projeção do apocalipse é a garantia de que não haverá guerra – fica claro que todos os lados tem muito a perder com um conflito”, destaca o coordenador do trabalho, um ex-general do Exército identificado apenas pela patente. 

A península coreana tem apenas 1.100 km de extensão, perto da distância entre São Paulo e Brasília. O território é cortado pela linha desmilitarizada do paralelo 38, fortemente guarnecido, que criou, no espaço de segurança determinado como terra de ninguém, uma das maiores reservas ambientais do mundo.

Seul, a capital do sul, tem 25 milhões de habitantes, metade da população do país. A projeção dos pesquisadores mostra que seria muito difícil proteger a maioria no caso de um ataque vindo do norte em larga escala e, pior, se o patamar atingido vier a ser o dos equipamentos nucleares. O governo do norte mantém um arsenal ainda muito limitado de mísseis de longo alcance – em torno de cinco ou seis unidades do Hwasong-14. Mas acumula quase mil outros tipos, de média e curta distância, provados e funcionais. Cada um deles pode levar ogivas de 500 kg a 750 kg até qualquer ponto do Sul ou do Japão.

A ameaça maior nesse ponto viria de duas vertentes – o esgotamento de Kim Jong-un de prover o abastecimento das forças e a constatação de que o inimigo é superior. A tentação da radicalização seria forte para um líder instável como o dirigente norte-coreano. Uma única ação nuclear direta poderia deixar outros 3 milhões de mortos.

 

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