Retomada de diálogo entre Farc e Bogotá é adiada

Delegados que negociarão o fim do conflito mais antigo da América Latina não informaram motivo de adiamento; conversa recomeça na segunda-feira

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h04

A retomada das conversas de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Bogotá - anunciada oficialmente no mês passado, na Noruega, e marcada para ocorrer amanhã em Cuba - foi adiada ontem, segundo informou um comunicado conjunto dos delegados que participarão do diálogo. A negociação que busca pôr fim a quase cinco décadas de conflito - o mais antigo da América Latina - deverá recomeçar na segunda-feira.

A razão do adiamento não foi informada. Meios de comunicação colombianos e analistas políticos mencionaram várias possibilidades - desde o mero acerto de detalhes sobre a pauta da discussão até a possível inclusão nas conversas do Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo insurgente do país, com cerca de 3 mil guerrilheiros, que já manifestou disposição de negociar paz com as autoridades de Bogotá.

"Anunciamos ao país e à comunidade internacional que a delegação do ELN para o diálogo exploratório com o governo está formada e pronta para corresponder ao que espera a Colômbia", disseram os rebeldes em um comunicado do grupo, que afirma apoiar a retomada das conversas de paz entre as Farc e Bogotá.

O parlamentar colombiano Iván Cepeda, do esquerdista Polo Democrático Alternativo, não deu muita importância para o adiamento da retomada do diálogo. "Assim são os ritmos de uma negociação. É preciso ter compreensão e paciência."

León Valencia, da Corporação Novo Arco-íris, entidade que analisa o conflito armado colombiano, atribuiu o adiamento à possibilidade de os inúmeros pedidos da sociedade civil - desde grupos camponeses ou indígenas até ativistas pelos direitos humanos - para inclusão de suas propostas na agenda do diálogo.

Segundo o ministro do Interior colombiano, Fernando Lodoño, um duro crítico das guerrilhas do país, a retomada do diálogo foi adiada porque os delegados "não entraram em acordo sobre temas muito delicados".

No mês passado, quando anunciaram oficialmente o novo diálogo, integrantes das Farc e do governo colombiano trocaram farpas publicamente. O primeiro tema que deverá ser discutido em Havana é a questão agrária na Colômbia, uma das principais razões da insurgência no país latino-americano. O presidente Juan Manuel Santos espera concluir a negociação "em meses". Para o suíço Jean-Pierre Gontard, que já atuou como mediador do conflito, essa expectativa é "totalmente irreal". / AP e EFE

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