Retomada de posse de casas e compensação demoram

O policial sunita Mohammed Faiq, de 32 anos, vivia no distrito de Qarhwanyia, em Bagdá, até 2006, quando integrantes do Exército Mehdi, milícia radical xiita liderada pelo clérigo Muqtada al-Sadr, chegaram em sua casa armados, exigindo que ele deixasse o local imediatamente. "Ameaçaram queimar minha casa com todo mundo dentro", disse ele, que morava com a mulher, o pai e os quatro filhos no local.

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h05

Todos se mudaram para Al-Tobachi, a 10 km do distrito original - que, como o bairro para onde foram, tem tanto habitantes xiitas como sunitas.

"Minha família vivia em Qarhwanyia desde 1954, minhas raízes estão lá", afirmou, explicando que procurou o Ministério de Deslocados e Migrantes para conseguir retomar sua casa.

Todos os dias, centenas de iraquianos procuram os escritórios do Centro Nacional de Registro dos Retornados para obter do governo meios para voltar a suas residências originais e uma ajuda de 4 milhões de dinares iraquianos (cerca de US$ 3,5 mil) que Bagdá oferece para quem foi obrigado a se deslocar em razão do conflito sectário.

Ihsan Muhdi Ahmed, diretor do centro de Karkh, no oeste da capital iraquiana, afirmou que após a retirada dos americanos do país, a quantidade de pessoas querendo voltar para suas casas tem aumentado, mas que o governo ainda não tem um número concreto sobre esses pedidos.

Ele afirma que, 72 horas após os iraquianos comprovarem a posse de suas propriedades, agentes sociais garantem a devolução dos imóveis. No entanto, ele admite que "há problemas" para a liberação da ajuda financeira, que demora até quatro meses.

Quem procura pelo dinheiro do governo, porém, diz que essa liberação tem demorado mais. "Venho aqui todo mês, há seis meses, e não consigo minha compensação", disse a aposentada sunita Um Mohammed, de 66 anos.

"Vim aqui no ano passado, mas me falaram que, por eu ter sido expulsa de Doura em 2007, teria de voltar em 2012. Mesmo assim, volto de quatro em quatro meses", disse a sunita Muna Sami Hassan, de 45 anos. / G.R.

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