Retomadas conversações de paz no Nepal

O governo do Nepal e os rebeldes maoístas se reúnem neste domingo para retomar as esperadas conversações de paz sobre o futuro do país, mas com poucas esperanças sobre um acordo imediato, segundo a imprensa local. As negociações foram qualificadas de decisivas pelos atuais governantes, que buscam uma saída para a difícil situação vivida noNepal desde que, em abril, uma revolta popular obrigou o rei Gyanendra a renunciar o poder absoluto. O líder maoísta Prachanda se reuniu no sábado informalmente com o primeiro-ministro nepalês, Girija Prasad Koirala, para tentardiscutir posturas antes do encontro oficial de hoje, mas a reuniãofoi concluída sem um consenso. O encontro será o quarto entre as duas partes em uma semana, depois que nos anteriores não foi possível chegar a nenhum acordo em torno dos principais empecilhos para uma negociação, que são a formação de um Parlamento interino, o desarmamento e a eleição da Assembléia Constituinte. Em declarações à imprensa local, o ministro da Indústria nepalês, Hridayesh Tripathi, assegurou que "seria inadequado esperar resultados imediatos destas negociações. Estão sendo tratados temasmuito delicados e embora todos desejem vê-los resolvidos muito em breve, é preciso admitir que ainda existe muito por fazer". Uma das grandes diferenças entre os dois lados diz respeito ao papel da monarquia, que os maoístas querem abolir completamente, enquanto a governante Aliança dos Sete Partidos prefere convocar umplebiscito que deixe claro o papel que deverá ser desempenhado pelo rei no futuro do Nepal. Existe um conflito sobre como efetuar odesarmamento antes das eleições constituintes, pois os maoístas não aceitam a exigência do governo de um desarme unilateral de suasforças como medida prévia ao processo. Atualmente, existe um cessar-fogo em vigência, declarado há cinco meses, mas até que não se resolvam todas as questões uma paz definitivanão parece possível. As duas partes pediram à ONU que supervisione seus acampamentos, vigie o processo de paz e envie observadores às eleições para a Assembléia Constituinte.

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