Retomar guarda de filhos é um desafio

Após dois anos de espera, Zoila e Sérgio Gil foram informados, na terça-feira, a que poderão receber no México seus três filhos americanos: Daniel, de 11 anos, Alondra, de 9, e Adrian, de 8. A família foi separada em 21 de agosto de 2011, quando os pais foram presos depois de furtar o equivalente a US$ 50 numa loja de brinquedos.

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h08

Os três filhos, que estavam com Zoila e Sérgio no momento da detenção, foram encaminhados ao serviço social e colocados sob a tutela do Estado. A mãe de Sérgio reside legalmente nos EUA e assumiu a guarda provisória das crianças. Depois de cumprir 3 meses de prisão, Zoila foi deportada, em 4 de novembro de 2011. Sérgio saiu um mês mais tarde.

No México, o casal deu início ao processo de reunificação com seus filhos, no qual deve atender a uma série de exigências das autoridades americanas, entre as quais estão exames antidrogas, a realização de cursos para pais, aconselhamento psicológico e a comprovação de que estão empregados e têm abrigo digno para os filhos.

O processo de reunificação é necessário quando pais são deportados em situações nas quais não conseguem determinar qual será o destino dos filhos nascidos nos EUA. "O caso clássico é quando alguém é detido depois de deixar as crianças na escola", disse Michelle Brané, diretora para Direitos de Migrantes e Justiça da Comissão para Mulheres Refugiadas, de Washington.

Quando não há um parente nos EUA para abrigar os filhos dos deportados, eles são enviados a famílias adotivas ou ficam em instituições públicas, enquanto o Judiciário americano analisa o processo de reunificação.

Levantamento realizado em 22 dos 50 Estados americanos pela entidade Applied Research Center, em 2011, indicou que havia pelo menos 5.100 filhos de imigrantes deportados vivendo com famílias adotivas provisórias. "Esse número é uma estimativa muito conservadora. Nós acreditamos que ele seja muito maior, mas é difícil saber, porque não há nenhuma instituição governamental que centralize essa informação", avaliou Brané.

No México - ou em outro lugar para o qual tenham sido deportados -, os pais realizam uma corrida de obstáculos contra o tempo para atender às exigências das autoridades americanas. Em tese, os pais têm o prazo de até 18 meses para cumprir as condições. Depois disso, os filhos podem ser dados para a adoção.

Em 4 de novembro, o advogado mexicano Daniel García teve de dizer a Rosa María González que seus direitos parentais haviam sido anulados pela Justiça americana e sua filha de 12 anos seria adotada por outra família. Rosa, que não quis dar entrevista, foi presa em 2011 e acusada de corrupção de menores depois de dar carona a uma sobrinha que se prostituía nos EUA.

Sem poder participar das audiências e representada por um advogado nomeado pelo Judiciário americano, Rosa não conseguiu ter a filha de volta após ter passado 8 meses na prisão. / C.T.

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