Retórica de ‘lei e ordem’ marca discurso de Trump

No encerramento da convenção republicana, bilionário adota slogan de Nixon e diz que é o candidato que combaterá a violência e a criminalidade nos EUA

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / CLEVELAND, EUA

22 Julho 2016 | 00h48

Donald Trump aceitou na madrugada desta sexta-feira, 22, a candidatura do Partido Republicano à presidência com um discurso no qual apresentou os EUA como um país mergulhado em violência, criminalidade, pobreza e humilhado fora de suas fronteiras. “Nesta corrida pela Casa Branca, eu sou o candidato da lei e da ordem”, declarou em pronunciamento visto por dezenas de milhões de americanos pela TV.

Com referências ao assassinato de policiais nos EUA e ataques terroristas dentro e fora do país, Trump dedicou grande parte de seu discurso à questão da segurança e retomou o slogan que marcou a campanha vitoriosa do republicano Richard Nixon à Casa Branca, em 1968. A expressão “lei e ordem” foi mencionada quatro vezes no mais importante pronunciamento já feito pelo bilionário.

Trump subiu ao pódio em Cleveland às 22h17 (23h17 pelo horário de Brasília), apresentado por sua filha mais velha, Ivanka. O bilionário foi recebido com os gritos de “Trump, Trump”, que deram lugar a “USA, USA” quando ele afirmou que aceitava a candidatura republicana à presidência. Após meia hora, o discurso foi interrompido por uma manifestante que gritou “construa pontes, não muros”. Quando ela era retirada da arena, Trump brincou: “Nossa polícia não é ótima?”.

Diante de milhares de representantes do partido reunidos em Cleveland, Trump reafirmou as propostas nacionalistas e populistas que impulsionaram sua candidatura insurgente. “Americanismo, não globalismo, será o meu credo”, afirmou, afastando-se do internacionalismo que orientou as posições de política externa da legenda nas últimas décadas. “O povo americano virá em primeiro lugar de novo.”

O bilionário que nunca ocupou um cargo público se descreveu como um outsider do mundo político que não está sujeito à influência dos setores econômicos que promovem seus interesses com a ajuda de lobistas. “Eu entrei na arena política para que os poderosos não consigam mais bater nas pessoas que não podem se defender. Ninguém conhece o sistema melhor do que eu e é por isso que só eu posso consertá-lo”, afirmou. “Eu sou a sua voz.”

O republicano descreveu sua adversária de novembro como a representante de interesses estabelecidos, que não pretende realizar mudanças na maneira em que a política americana funciona – a rejeição a Washington e a Wall Street marcou o período das primárias e deu fôlego às candidaturas de Trump e do senador Bernie Sanders, rival de Hillary Clinton nas prévias democratas.

O candidato também atacou Hillary por sua gestão no Departamento de Estado durante o primeiro mandato do presidente Barack Obama e a acusou de ser responsável pela atual instabilidade no Oriente Médio. Quando os milhares de republicanos começaram a gritar sua nova palavra contra Hillary – “prendam-na, prendam-na”, o candidato interrompeu. “Vamos derrotá-la em novembro.”

“O Estado Islâmico não estava no mapa quando ela assumiu o cargo, em 2009”, afirmou Trump. “A Líbia estava cooperando. O Egito estava em paz. O Iraque estava vendo uma redução na violência”, observou. Segundo ele, depois da gestão de Hillary, o grupo terrorista passou a atuar em todo o mundo. “Este é o legado de Hillary Clinton: morte, destruição, terrorismo e fraqueza.”

Trump reiterou sua proposta de construir um muro na fronteira com o México, mas não repetiu a promessa de obrigar o país vizinho a pagar por ele. Trump também não mencionou a deportação dos 11 milhões de imigrantes que vivem sem documentos nos EUA, mas disse que suspenderá a imigração de pessoas vindas de países “comprometidos” pelo terrorismo. “Eu só vou admitir indivíduos no nosso país que apoiem nossos valores e amem o nosso povo.”

O bilionário usou sua rejeição a acordos comerciais assinados pelos Estados Unidos para dizer que terá apoio dos eleitores de Bernie Sanders, que apresentou propostas semelhantes às de Trump nessa área. Depois de abandonar a disputa com Hillary, Sanders disse que fará tudo o que estiver a seu alcance para impedir que o bilionário chegue à Casa Branca.

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