Gabriella Demczuk/The New York Times
Gabriella Demczuk/The New York Times

Retorno de dinastia dos Kennedy dá novo ânimo ao partido Democrata

Joseph Kennedy III é a aposta do partido para renovar sua liderança

Claudia Trevisan, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 05h00

Em meio ao terremoto feminino do movimento #MeToo e ao aprofundamento da tensão racial nos Estados Unidos, o Partido Democrata escolheu um homem branco de cabelos ruivos e sobrenome Kennedy para dar a resposta ao primeiro discurso sobre o Estado da União do presidente Donald Trump, realizado na noite de terça-feira, 30, nos EUA.

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Neto de Robert Kennedy, o irmão do ex-presidente John Kennedy assassinado em 1968, Joseph Kennedy III está em seu terceiro mandato como deputado federal. Ele tem 37 anos e é uma das apostas do partido para a renovação de sua liderança, hoje dominada por septuagenários. 

No entanto, a escolha do representante da mais célebre dinastia democrata depois da derrota de Hillary Clinton, em 2016, foi criticada por alguns analistas. “Ao longo do último ano, setores significativos do Partido Democrata expressaram desprezo por dinastias, pela política tradicional”, disse John Hudak, do Centro para Gestão Pública Efetiva do Brookings Institution, em evento sobre o discurso do Estado da União. “A ideia de que se você tem o sobrenome correto pode fazer o que quiser está tirando o entusiasmo de um número significativo de progressistas nos Estados Unidos.”

No mesmo debate, o analista E. J. Dione, colunista do Washington Post e professor da Universidade Georgetown, avaliou que Kennedy foi escolhido por ter um sobrenome que simboliza a unidade entre os diferentes segmentos do Partido Democrata.

“Da assistência médica à economia e os direitos civis, a agenda democrata está em forte contraste com as promessas descumpridas do presidente Trump para as famílias americanas”, escreveu Kennedy em sua conta no Twitter. 

Além de refutar a retórica do presidente americano, o parlamentar terá o desafio de dar o tom da agenda democrata para as eleições de meio de mandato, em novembro, quando a oposição tentará conquistar o controle do Congresso.

 

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