Retorno de Saleh ao Iêmen é dúvida; combates matam 5 soldados

O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, foi tão gravemente ferido em um atentado que é incerto quando retornará a seu país, disse o vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi.

REUTERS

30 de junho de 2011 | 16h29

Saleh ficou ferido em um ataque a seu palácio no início de junho e está recebendo tratamento médico na Arábia Saudita. O Iêmen vem sendo abalado por meses de protestos contra o governo dele, no poder há três décadas.

Em novos combates travados no sul do Iêmen durante a noite, militantes islâmicos ligados à Al Qaeda mataram cinco soldados iemenitas que tentavam retomar o controle de um estádio de futebol tomado por insurgentes na quarta-feira, disse uma autoridade local.

Hadi disse à CNN em entrevista que viu Saleh imediatamente após o ataque a bomba e que o líder iemenita tinha um pedaço de madeira entre as costelas e apresentava queimaduras no rosto, braços e parte superior do corpo.

O vice-presidente disse que, segundo os médicos, ninguém sabe quando Saleh poderá retornar ao Iêmen.

"Dias, semanas, meses", disse ele à CNN, falando com a ajuda de um intérprete. "Pode levar meses. Essa é uma decisão que cabe aos médicos."

Enquanto isso, representantes da oposição disseram que mais de 300 soldados do governo desertaram, em nove golpe a Saleh no momento em que ele se recupera dos ferimentos sofridos.

Em mensagem transmitida na televisão estatal na quarta-feira por meio de seu ministro do Exterior, Saleh pediu um diálogo com a oposição, com vistas a implementar um plano de transferência do poder mediado pelo Golfo.

"Discutimos a iniciativa do Golfo, e Saleh pediu a abertura de um diálogo com a oposição ... para chegar-se a um acordo sobre um veículo com o qual implementar a iniciativa do Golfo", disse o ministro do Exterior do Iêmen, Abubakr al-Qirbi.

Al-Qirbi disse que visitou Saleh no hospital e que sua saúde e a de outros representantes de alto escalão do governo que foram feridos no ataque "está boa e vem melhorando continuamente".

Autoridades iemenitas tinham dito que Saleh faria esta semana sua primeira aparição pública desde o ataque a seu palácio, mas o secretário de imprensa do presidente, Ahmed al-Sufi, disse à Reuters que o plano do presidente de gravar uma mensagem em vídeo a ser transmitida pela televisão estatal foi adiado, atendendo ao conselho de seus médicos.

O Iêmen, que é o Estado árabe mais pobre e é vizinho do maior exportador de petróleo do mundo, a Arábia Saudita, vem sendo sacudido pelos protestos contra Saleh, por uma ala ressurgente da Al Qaeda e por uma rebelião separatista no sul do país.

Os EUA e a Arábia Saudita temem que a Al Qaeda possa aproveitar-se do caos para lançar ataques na região e fora dela.

As autoridades iemenitas vêm relatando avanços na luta contra estimados 300 militantes que tomaram o controle de Zinjibar em maio, em meio a uma onda de protestos populares contra Saleh.

A situação tem sido sobretudo de calma no país, com uma trégua em vigor, desde que Saleh foi ferido no ataque, que, segundo investigadores, foi causado por explosivos plantados na mesquita do palácio, onde o presidente e altos funcionários do governo estavam fazendo suas orações.

(Reportagem de Asma Alsharif em Jedá, Mohammed Ghobari em Sanaa e Tabassum Zakaria em Washington)

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