Aaron P. Bernstein/Getty Images/AFP
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Retrocesso fez Putin se aproximar

Com a nova postura de Washington, Departamento de Estado não criticou a condenação à prisão do único opositor com chance de enfrentar o líder russo na disputa presidencial do próximo ano

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2017 | 05h00

WASHINGTON - Donald Trump acredita na eficácia da tortura, rotula a imprensa como inimiga do povo americano, ataca integrantes do Poder Judiciário, promete aumentar o número de presos em Guantánamo e demonstra clara simpatia por líderes de personalidade autoritária, como o russo Vladimir Putin e o filipino Rodrigo Duterte.

Com um presidente que exibe esse currículo, é difícil para os EUA terem credibilidade para criticar o desrespeitos aos direitos humanos em outros países. O relatório divulgado pelo Departamento de Estado na sexta-feira condena violações à liberdade de imprensa e tentativas de enfraquecer o Judiciário e censura o uso da tortura e a discriminação religiosa em outras regiões do planeta.

Sete dias depois de chegar à Casa Branca, Trump assinou um decreto que barrou a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e deu prioridade a cristãos na aceitação de refugiados pelo país. Com a suspensão da medida por um tribunal, o governo trabalha em uma nova versão das restrições, que deverá ser divulgada na próxima semana.

O desinteresse de Trump em assumir um papel de liderança na defesa de direitos humanos e de valores democráticos ocidentais foi um dos fatores que levaram Putin a preferir sua candidatura na eleição de novembro. A democrata Hillary Clinton era vista como representante de uma política externa intervencionista, que se refletiria na intensificação da oposição às ações da Rússia na Ucrânia.

Trump questionou o compromisso de defesa dos aliados europeus diante de eventuais agressões de Moscou e se mostrou simpático ao levantamento das sanções impostas ao país.

Com a nova postura de Washington em relação a violações de direitos humanos, o Departamento de Estado não criticou a condenação à prisão, em fevereiro, do único opositor com chance de enfrentar Putin na disputa presidencial do próximo ano.

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