AP Photo/Richard Drew
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Retrospectiva 2018: América Latina fecha ano com grandes e inesperadas mudanças políticas

A corrida eleitoral nos países latino-americanos começou neste ano na Costa Rica, onde em abril o esquerdista Carlos Alvarado venceu nas urnas

O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2018 | 16h51

BOGOTÁ - O calendário eleitoral e político da América Latina em 2018 foi marcado por grandes mudanças na região, entre elas a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil, de Andrés Manuel López Obrador no México e a ascensão de Miguel Díaz-Canel ao poder em Cuba depois de quase seis décadas de liderança dos irmãos Castro.

López Obrador, eleito em julho, e Bolsonaro, em outubro, têm em comum o fato de terem vencido as votações em seus países em meio a um descontentamento com a economia, a corrupção e a violência, fenômenos muito presentes nos dois grandes países latino-americanos.

No México, López Obrador assumiu em 1º de dezembro com a promessa de um governo austero, dando prioridade à política interna. Sobre as relações exteriores, o novo presidente afirmou que espera ter bons laços tanto com o presidente dos EUA, Donald Trump, como com o da Venezuela, Nicolás Maduro.

Essa dualidade criou incerteza no plano internacional, já que o México foi um dos países que liderou as pressões contra o governo de Maduro devido à crise na Venezuela que causou o êxodo de milhares de pessoas.

O caso de Bolsonaro gera ainda mais incerteza sobre o Mercosul. O presidente eleito, que será empossado em 1º de janeiro, já deixou claro que o bloco não será uma prioridade para o futuro governo.

Além disso, a nomeação de Ernesto Araújo como futuro ministro das Relações Exteriores preocupa os países vizinhos por conta de suas posições ideológicas.

Outra passagem de bastão histórica foi a eleição de Díaz-Canel como presidente de Cuba, em 19 de abril, depois de quase seis décadas com os irmãos Fidel e Raúl Castro à frente do país.

Essa mudança de governo foi vista como uma oportunidade de uma transição. No entanto, em suas primeiras palavras como presidente, Díaz-Canel afirmou que Raúl Castro "liderará as decisões de maior transcendência para o presente e o futuro da nação" e que dará "continuidade à Revolução Cubana".

A corrida eleitoral nos países latino-americanos começou neste ano na Costa Rica, onde em abril o esquerdista Carlos Alvarado venceu nas urnas. No mesmo mês, o Paraguai elegeu o direitista Mario Abdo Benítez. Em junho, Iván Duque foi eleito presidente da Colômbia.

No dia 20 de maio, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi reeleito em uma votação na qual a maioria dos opositores não concorreu - muitos estavam inelegíveis, presos ou por considerarem que não havia garantia de um processo eleitoral justo.

Nos últimos três anos, a região altino-americana deu uma guinada para a centro-direita, com exceção, neste ano, do México.

Para o ano que vem estão previstas eleições presidenciais na Argentina, onde o presidente Mauricio Macri já deu mostras de que vai tentar se reeleger; e na Bolívia, onde Evo Morales foi liberado para se candidatar novamente, o que gerou fortes protestos, tanto de opositores como de setores que até agora o apoiavam.

Também irão às urnas os cidadãos de Guatemala, El Salvador e Uruguai. / EFE

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