Sarah Silbiger/The New York Times
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Retrospectiva 2018: Trump abraça nacionalismo em 2018, mas fecha ano com menos apoio no Congresso

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, libertou seus instintos mais nacionalistas ao longo de 2018, adotando medidas como iniciar a guerra comercial com a China e retirar o país do acordo nuclear com o Irã, mas termina o ano com menos apoio no Congresso e frustrado com o avanço das investigações sobre o chamado "caso Rússia".

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 05h00

Mais à vontade na Casa Branca no segundo ano de seu mandato, Trump remodelou a equipe de governo para se livrar de vozes dissonantes. A guinada nacionalista foi especialmente notada na política externa, com decisões como a saída do pacto nuclear do Irã e do Conselho dos Direitos Humanos da ONU.

"A aparente maior confiança em si próprio, o novo assessor de Segurança Nacional (John Bolton) e o novo secretário de Estado (Mike Pompeo) parecem ter dado ao presidente mais flexibilidade para tomar medidas abertamente nacionalistas", disse Karen Hult, especialista em Ciência Política da Universidade de Virgínia Tech.

Trump também trocou em março o diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca. Gary Cohn, que se opunha ao plano do presidente de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio de vários países do mundo, deixou o governo em razão das divergências. Pouco depois, a polêmica medida entrou em vigor.

Em julho, Trump deu início à guerra comercial com a China, estabelecendo sobretaxas sobre a metade dos produtos importados pelos EUA do país. O gesto deixou investidores apreensivos, um sentimento que permanece mesmo depois da trégua de 90 dias firmada com Xi Jinping em reunião após o fim da cúpula do G20.

Embora Trump tenha obtido uma vitória ao assinar em novembro um novo pacto comercial com México e Canadá, as tarifas sobre aço e alumínio abalaram as relações dos EUA com diversos aliados tradicionais do país, como a União Europeia e o Japão.

Os ataques aos parceiros clássicos coincidiram com uma tentativa de Trump de estabelecer pontes com dois países historicamente rivais dos EUA: Coreia do Norte e Rússia.

Na cúpula de junho com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, Trump iniciou uma insólita aproximação com um país que chegou a ameaçar com "fogo e fúria". No entanto, o processo começado em Cingapura travou rapidamente em razão das diferenças entre partes sobre como implementar a desnuclearização do regime de Pyongyang.

Um mês depois, Trump se reuniria em Helsinque com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, provocando uma grande polêmica em Washington ao garantir que o Kremlin não interferiu nas eleições de 2016.

A investigação sobre o "escândalo Rússia" foi a principal dor de cabeça de Trump em 2018, um ano que termina com o trabalho do procurador Robert Mueller quase concluído.

"Não fosse pela falsa caça às bruxas russa, minha popularidade estaria em 75%", escreveu o presidente no Twitter em dezembro.

A frustração de Trump com as investigações provocaram a demissão do procurador-geral, Jeff Sessions, que havia se declarado impedido de participar do caso quando assumiu o cargo.

A maior conquista do presidente no plano nacional em foi a aprovação da indicação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte depois de uma intensa batalha no Senado devido às várias acusações de abuso sexual contra o juiz.

Em nível legislativo, porém, Trump não conseguiu nenhuma vitória tão clara como a de 2017, quando assinou uma reforma tributária que visava cortar os impostos de grandes empresas.

"Realmente, ele não fez nada, só aprovou leis menores. Ele não trabalha bem com os líderes de seu próprio partido, que controlavam Câmara dos Representantes e Senado, nem com os grupos externos de pressão que são chaves no Legislativo", afirmou James Thurber, especialista em Política Americana na American University.

As coisas serão ainda mais difíceis para Trump a partir de janeiro, quando o Congresso ficará divido entre o Senado controlado pelos republicanos e a Câmara sob o controle dos democratas.

A oposição recuperou a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições legislativas de novembro, consideradas como um plebiscito sobre o mandato do atual presidente.

Mas Trump não quis fazer uma autocrítica depois da derrota eleitoral - considerada por ele como uma vitória. E, agora, confia que conseguirá entrar em acordo com os democratas para fazer seus projetos de lei avançarem na casa. / EFE

 

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