Frank Augstein/AP Photo
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Retrospectiva 2018: União Europeia vive mais uma grave crise existencial

Os membros europeus da Otan e Trump também travaram um novo capítulo nas discussões sobre as contribuições ao orçamento da entidade

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 19h13

BRUXELAS - A União Europeia (UE) enfrentou em 2018 mais um ano de grave crise existencial, protagonizado pelo complicado acordo de saída do Reino Unido, o Brexit, pelas ameaças do governo da Itália e as questionadas reformas em Hungria, Polônia e Romênia.

Em novembro, após meses de negociações que pareciam levar a lugar nenhum, negociadores da UE e do Reino Unido chegaram a um acordo sobre a saída britânica do bloco, respaldada posteriormente pelos líderes dos 27 países-membros em uma reunião extraordinária.

Mas o futuro do pacto segue incerto devido à resistência enfrentada pela primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, na Câmara dos Comuns. O Partido Conservador, liderado por ela, não tem os votos necessários para fazer o acordo passar na casa, e a oposição já começa a articular meios de reverter o Brexit, seja provocando a queda de May ou convocando um novo referendo.

Em outra frente, as eleições da Itália colocaram um novo governo eurocético no poder. A Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas declararam guerra à UE em assuntos como imigração e soberania orçamentária, tornando o país em novo candidato a deixar o bloco.

O principal embate de 2018 foi sobre a recusa do governo italiano em mudar o plano orçamentário de 2019, que viola as normas comunitárias de disciplina fiscal por não contemplar a redução da dívida exigida e o ajuste de déficit exigidos pela UE.

Em uma decisão sem precedentes, a Comissão Europeia rejeitou a proposta da Itália e recebeu o apoio dos demais governos do bloco para denunciar o país pela elevada dívida pública. 

O momento não é dos melhores com Romênia, Hungria e Polônia.

Às vésperas de assumir a presidência rotativa da UE, o governo da Romênia desafiou o bloco com uma controversa reforma judicial que beneficia vários políticos investigados por corrupção.

Em setembro, a Eurocâmara pediu a aplicação do artigo 7 do Tratado da UE pela frágil condição do Estado de Direito e da separação de poderes na Hungria. No entanto, o Conselho Europeu resiste a penalizar as reformas feitas pelo primeiro-ministro, Viktor Orbán.

Além disso, a UE mantém uma queda de braço com a Polônia devido à reforma do Supremo Tribunal de Justiça. A polêmica provocou um debate no país sobre uma hipotética saída do bloco, batizada pela imprensa local de "Polexit".

Por outro lado, 2018 foi o ano da disputa comercial entre UE e EUA. O governo de Donald Trump impôs tarifas sobre a importação de aço e alumínio europeus, medida que foi respondida pelo bloco com a aplicação de taxas sobre a compra de produtos americanos.

Em julho, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, viajou para Washington para discutir o caso e conseguiu convencer Trump a não sobretaxar em 20% a importação de carros europeus.

Os membros europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e Trump também travaram um novo capítulo nas discussões sobre as contribuições ao orçamento da entidade, que o presidente americano considera como insuficiente.

Longe de ouvir às demandas de Trump, o eixo franco-alemão, formado por Emmanuel Macron e Angela Merkel, defendeu publicamente a criação de um Exército Europeu, que seria complementar à Otan.

O anúncio da saída da chanceler da Alemanha da política ao fim de seu atual mandato também é um marco na história da UE. Merkel foi a principal construtora de consensos no Conselho Europeu na última década.

Dez anos depois da grande crise econômica que afetou a zona do euro e que alimentou tanto o Brexit como os partidos populistas, que agora chegaram ao poder em vários países, a UE segue imersa em um período complicado e é alvo de uma desconfiança que estará presente nas próximas eleições da região em 2019. / EFE

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