AFP PHOTO / HECTOR RETAMAL
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Retrospectiva: Ano no Haiti foi marcado por destruição de furacão Matthew e eleições conturbadas

País mais pobre da América também teve de lidar com o aumento do cólera, doença que chegou com um contingente de boinas azuis do Nepal enviados à ilha depois do terremoto de 2010

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2016 | 11h15

PORTO PRÍNCIPE - O Haiti termina um ano difícil após a calamidade do devastador furacão Matthew, que deixou centenas de mortos e milhares de desabrigados, e das eleições, adiadas várias vezes, que podem confirmar que o país terá um novo presidente em 2017.

A nação mais pobre da América começou o ano em meio a uma crise política, que impediu a escolha do sucessor do ex-presidente Michel Martelly, em 15 de fevereiro, o então titular do Senado, Jocelerme Privert, o qual assumiu provisoriamente o Executivo. O estopim da crise foi o questionamento das eleições presidenciais de outubro de 2015, cujo resultado acabou sendo invalidado em junho deste ano, colocando novamente o Haiti em uma situação de instabilidade, agravada pela crescente sensação de insegurança.

Naquelas eleições, Jovenel Moise, do Partido Haitiano Tet Kale (PHTK), o mesmo de Martelly, obteve 32,81%; e Jude Celestin, da Liga Alternativa pelo Progresso e Emancipação Haitiana (Lapeh), 25,27%. No entanto, o candidato perdedor qualificou os resultados como fraudulentos e conseguiu apoio de outros seis concorrentes, que se juntaram ao chamado G-7 para pressionar até conseguir a anulação da eleição.

A Comissão de Verificação propôs o cancelamento do pleito por detectar sérias irregularidades e recomendou a realização de um novo processo eleitoral, aceito pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) que convocou eleições para 9 de outubro. Quando tudo estava pronto para a nova votação, mas a chegada do furacão Matthew ao oeste do país poucos dias antes da eleição deixou um rastro de morte e destruição, adiando novamente a votação.

O balanço oficial da tragédia contabilizou 546 mortos, 128 desaparecidos e 175 mil deslocados pela passagem do furacão, que afetou diretamente, segundo dados da ONU, 1,4 milhão de pessoas, e deixou 800 mil carentes de ajuda alimentar.

O Matthew provocou a pior crise humanitária depois do terremoto de 2010, que deixou 300 mil mortos, e causou um aumento do cólera, doença que chegou ao país com um contingente de boinas azuis do Nepal enviados à ilha depois do tremor. No começo de dezembro, a ONU se desculpou com o país por sua responsabilidade na epidemia e pediu à comunidade internacional para enviar recursos para ajudar os afetados pela doença.

Perante a magnitude da crise causada pelo furacão, o Comitê Eleitoral Provisório (CEP) do Haiti adiou a eleição para 20 de novembro. O pleito transcorreu normalmente, mas com baixa participação dos eleitores. Os resultados preliminares, divulgados uma semana seguinte, deram vitória com folga e sem necessidade de segundo turno a Moise.

Conforme as primeiras apurações, ele venceu as eleições com 55,67% dos votos, enquanto seu oponente mais próximo, Jude Celestin, alcançou 19,52%. Os resultados definitivos serão divulgados no dia 29 e, se confirmarem os preliminares, Moise, um empresário do setor agrícola, se tornará o próximo presidente do Haiti.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou que os dados oficiais "estão em linha" com os levantados pela missão de observadores que está no país. Contudo, Celestin Moise Jean-Charles, da Plataforma dos Filhos de Dessalines; Maryse Narcisse, do Famílias Lavalas, e outros 2 dos 27 candidatos que concorreram, impugnaram os resultados afirmando que possuem "provas sólidas" de uma suposta fraude eleitoral. Os partidários dos três candidatos protagonizaram vários protestos que, em alguns casos, terminaram em violência. / EFE

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