AFP PHOTO / JOEL SAGET
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Retrospectiva: François Hollande, uma presidência marcada pela violência terrorista

Ao longo de seu mandato, o líder socialista enfrentou uma onda de atentados sem precedentes e indignação social

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 16h24

A presidência de François Hollande, que termina no domingo, esteve marcada por uma onda de atentados sem precedentes e pela indignação social que despertou sua política econômica, criticada, inclusive, dentro de seu próprio partido. Relembre alguns dos momentos mais importantes dos cinco anos de seu mandato.

Atentados extremistas

Desde janeiro de 2015, uma onda de atentados, reivindicados ou inspirados por grupos extremistas deixaram 239 mortos na França. Diante destes ataques, os mais mortais da história recente da França, Hollande fez um chamado de unidade ao país ante o terrorismo.

Quatro dias depois do ataque à redação da revista satírica Charlie Hebdo, seguido de um atentado contra a polícia e um supermercado judaico, mais de 3,7 milhões de pessoas foram às ruas em todo o país. Cerca de 50 chefes de Estado e de governo participaram de uma marcha solene em Paris, respondendo ao convite de Hollande.

No dia 13 de novembro, três comandos jihadistas mataram 130 pessoas em Paris ao promover ataques coordenados perto do Stade de France, em cafés e restaurantes, e na casa de shows Bataclan.

"A França está em guerra", declarou Hollande, que instaurou o estado de emergência no país. O Exército começou a patrulhar as ruas e os locais estratégicos, medidas que continuam em vigor ainda hoje.

Operações militares

Hollande, chefe das Forças Armadas francesas, iniciou em janeiro de 2013 uma intervenção no Mali para deter o avanço de combatentes islamistas que controlavam o norte do país. Em dezembro, tropas francesas intervieram na República Centro-Africana para restaurar a segurança no país castigado por uma onda de violência inter-religiosa.

No mesmo ano, Hollande pediu para intervir na Síria, assolada por mais de dois anos de guerra, mas não contou com o apoio do então presidente dos EUA, Barack Obama, e do Reino Unido.

A França lançou seus primeiros bombardeios na Síria na segunda metade de 2015, no âmbito de uma coalizão internacional extremista comandada por Washington. No Iraque, os franceses realizam bombardeios e missões de inteligência contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) desde setembro de 2014.

Casamento gay

No dia 23 de abril de 2013, o governo socialista aprovou uma lei que autoriza o casamento e a adoção por casais do mesmo sexo, assinada pela ministra Christiane Taubira. A determinação, apoiada por Hollande, mostrou brechas existentes entre os diferentes posicionamentos na França sobre o tema. Os debates intensos duraram meses e diversas manifestações aconteceram pelas ruas do país, com opositores defendendo os valores da família tradicional.

Acordo sobre o clima

Hollande demorou para mostrar interesse por questões ambientais, mas depois de um intenso trabalho diplomático conseguiu convencer os dirigentes do mundo a assinarem um acordo cujo objetivo é limitar o aquecimento global a 2.º graus Celsius com relação aos níveis pré-industriais. Um total de 196 países assinaram um acordo histórico sobre o clima em dezembro de 2015, em Paris.

Vida privada

François Hollande havia se mostrado extremamente crítico à exposição da vida privada de seu antecessor, Nicolas Sarkozy, e jurou que seria "exemplar" neste ponto. No entanto, no dia 10 de janeiro de 2014, uma revista revelou, com uma reportagem ilustrada, que o mandatário mantinha um relacionamento paralelo com a atriz Julie Gayet, enquanto convivia no Palácio de Eliseu com a jornalista Valérie Trierweiler.

Quinze dias depois, anunciou "o fim de sua vida comum" com Valérie. Cinco meses depois, ela escreveu um livro de memórias chamado Merci pour ce moment (Obrigada por esse momento, em tradução livre), um sucesso de vendas que prejudicou a imagem de Hollande.

Economia

Em janeiro de 2014, Hollande deu uma guinada espetacular em sua política econômica e voltou-se para os empresários ao anunciar que o governo previa cortar € 30 bilhões de cotações sociais às empresas no marco de um "pacto de responsabilidade".

O gesto foi criticado com força no âmbito do Partido Socialista (PS) e vários "rebeldes" levantaram suas vozes contra a medida. Os protestos foram constantes contra uma mudança na legislação trabalhista para flexibilizar as condições das demissões. Após meses de mobilizações, o texto foi aprovado sem discussão no Parlamento.

Escolha

No dia 1.º de dezembro de 2016, Hollande anunciou que não iria disputar um novo mandato, uma decisão inédita na história da França. / AFP

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