REUTERS/Dmitri Lovetsky/Pool
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Retrospectiva: Putin encerra 2016 com atenções voltadas para os EUA

Governo russo comemorou vitória de Donald Trump nas eleições americanas e considera que magnata pode trazer benefícios para o país

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2016 | 15h15

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, terminou sem desgaste aparente o pior ano de suas relações com o Ocidente e com a esperança de que a chegada de Donald Trump à Casa Branca traga consigo uma melhora no diálogo entre Moscou e Washington.

Em 2016, Putin teve de enfrentar não só a ampliação das sanções contra seu país em razão do papel de Moscou na crise na Ucrânia, mas também acusações de crimes de guerra na Síria, onde a Rússia combate do lado do regime do presidente Bashar Assad.

Em Washington, multiplicaram-se as denúncias sobre a ingerência da Rússia, incluindo ataques cibernéticos, na campanha presidencial americana para favorecer Trump, supostamente mais conveniente aos interesses de Moscou. Com isso, a Casa Branca ordenou o planejamento de um ataque cibernético contra a Rússia, que seria realizado no momento considerado oportuno, segundo fontes dos serviços secretos americanos.

Contudo, o término do mandato do atual presidente Barack Obama diminuiu a ameaça, e Moscou destacou que espera que com o novo presidente dos EUA melhore o diálogo entre os dois países, embora tenha deixado claro que esse não será um processo fácil ou rápido.

A Duma, Câmara dos Deputados russa, recebeu a notícia da vitória de Trump com muitos aplausos. Alguns deputados, como o líder do ultranacionalista Partido Liberal Democrático, Vladimir Jirinovski, comemoraram com champanhe a derrota da democrata Hillary Clinton.

Em Moscou consideram que Trump pode trazer benefícios para a Rússia no âmbito internacional.  Após a euforia inicial causada pela vitória do candidato republicano, o Kremlin apelou por cautela e para esperar com paciência a formação da equipe que acompanhará o novo chefe da Casa Branca.

No âmbito doméstico, as dificuldades econômicas, provocadas pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções ocidentais, não afetaram Putin, cuja liderança, 17 anos após chegar ao poder, não parece se abalar.

Segundo um recente estudo do Ministério da Economia da Rússia, que adverte que as sanções econômicas ocidentais serão de longa duração, o país sofrerá 20 anos de estagnação econômica. "Nosso sistema macroeconômico se parece com alguém que sofreu um infarto do miocárdio", declarou o economista Serguei Glaziev, conselheiro de Putin. / EFE

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