Reunião com Arafat divide líderes israelenses

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, rejeitou neste domingo uma proposta segundo a qual seu ministro de Relações Exteriores se reuniria com o líder palestino Yasser Arafat. Ele alegou que não ocorrerão negociações enquanto prosseguirem os episódios esporádicos de violência. A decisão gerou uma furiosa discussão com o chanceler Shimon Peres, sugerindo um possível rompimento na parceria entre os rivais ideológicos, cuja colaboração nos últimos meses foi vista como de extrema importância para tentar conter a violência entre israelenses e palestinos.De acordo com o Canal 2 da tevê israelense, Sharon afirmou que o processo de paz com os palestinos é um fracasso total e proibiu Peres de reunir-se com Arafat por enquanto. Peres respondeu que não aceita tal ordem de Sharon. Fontes governamentais não confirmaram a informação. Peres é a favor do prosseguimento dos contatos com Arafat. Mas Sharon insiste que não haverá negociações enquanto houver violência. "Arafat deve entender que não conseguirá negociar com Israel enquanto houver confronto", comentou Raanan Gissin, assessor de Sharon.Peres alega que a violência palestina diminuiu desde quarta-feira, quando começou o atual cessar-fogo, "apesar de ainda não ter atingido o nível que desejamos". O mesmo comentário foi feito hoje pelo secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, em entrevista ao Fox News Sunday. Apesar de ter ocorrido uma considerável redução nas hostilidades, a violência esporádica prosseguiu neste domingo enquanto os lados envolvidos trocavam acusações de não estarem cumprindo a trégua negociada na semana passada pelo diretor da CIA, Goerge Tenet.Um garoto palestino de 12 anos foi assassinado ao ser atingido por uma bala disparada por soldados israelenses contra manifestantes no campo de refugiados de Khan Yunis, na Faixa de Gaza, disseram médicos palestinos.O Exército revelou ter disparado balas de baixo calibre contra as pernas de dois palestinos que lideravam um grupo de manifestantes próximo a uma cerca que separa o campo de refugiados de um assentamento judaico. De acordo com um porta-voz do Exército, os tiros foram disparados depois de o gás lacrimogêneo não ter ajudado a dispersar os manifestantes.Em Gaza e na Cisjordânia, palestinos promoveram hoje dois ataques com dinamite, mas não atingiram seus alvos. Porém, levantaram dúvidas o futuro dos contatos políticos impulsionados pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Um dispositivo explosivo foi detonado próximo a um veículo militar que também recebeu disparos nos arredores da cidade cisjordaniana de Nablus, informou o Exército de Israel. Um soldado sofreu ferimentos leves em uma mão, segundo as equipes médicas.Na Faixa de Gaza, um palestino detonou uma carga explosiva levada por ele escondida em uma carroça nas proximidades de um posto militar israelense em Dahaniye, cidade controlada por Israel, disse o porta-voz militar major Ran Adam. Os soldados feriram um homem na perna e o socorreram em um hospital, acrescentou Adam. Ninguém mais ficou ferido. Apesar da diminuição da violência, Adam disse que a região próxima à fronteira com o Egito, em especial o entroncamento de Rafah, continua sendo um local conturbado.Os israelenses também informaram sobre vários tiroteios ocorridos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza antes da madrugada de domingo. De acordo com o Exército, um posto militar israelense foi atacado com tiros e granadas. Os soldados repeliram o ataque e oito palestinos ficaram levemente feridos, disse o médico Ali Musa, do hospital de Rafah.Na noite de ontem, moradores de Rafah tentaram evitar que franco-atiradores palestinos disparassem contra tropas de Israel, disseram testemunhas e funcionários de segurança palestinos. Os homens armados dispararam a esmo e, aparentemente, foram responsáveis pela morte de Suleiman al-Masari, de 12 anos, e por ferimentos causados em mais quatro pessoas. Funcionários palestinos disseram hoje, sob condição de anonimato, que buscam o autor dos disparos e o consideram responsável por violar a trégua ordenada pelo líder palestino Yasser Arafat.

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