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Christian SPICKER / Christian Spicker / AFP
Christian SPICKER / Christian Spicker / AFP

Reunião com líderes internacionais discute via de paz para a Líbia

Encontro acontece na Alemanha para negociar uma via pacífica para o fim dos conflitos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2020 | 03h49

BERLIM - Líderes dos principais países envolvidos no conflito que abala a Líbia se reúnem neste domingo, 19, em Berlim para tentar construir um processo de paz e impedir que a guerra civil transforme esse território em uma "segunda Síria". O principal objetivo desta cúpula, sob os auspícios da ONU, que começa no início da tarde e deve terminar à noite, é acabar com várias interferências estrangeiras no país e abrir um caminho para a paz.

A violência na Líbia se alimenta de apetites em torno de suas grandes reservas de petróleo, rivalidades políticas regionais e jogos de influência. Espera-se que um compromisso respeite o embargo à entrega de armas, decretado em 2011, mas que em grande parte constitui uma carta morta, segundo rascunho do acordo final ao qual a AFP teve acesso. Também deve exigir finalização "total" e duradoura das hostilidades.

"A conferência pode ser o primeiro passo para a paz na Líbia", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, anfitrião da cúpula, em uma entrevista publicada domingo no jornal Bild. O enviado da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, disse à AFP que o país "precisa" que a interferência estrangeira que alimenta o conflito seja "interrompida".

Entre a recente chegada de soldados turcos ao território líbio, a suposta presença de mercenários russos e o fluxo contínuo de armas entregues por vários estados, a comunidade internacional teme que o conflito se intensifique.

Mesas separadas

"Este é um conflito regional crescente, que se assemelha cada vez mais à Síria", disse uma importante autoridade do Departamento de Estado em Washington na noite de sábado, 18, sob condição de anonimato. "Esta é a razão pela qual toda a comunidade internacional está se mobilizando", disse ele.

A Europa também teme um novo fluxo de migrantes, um medo que a Turquia usa para justificar sua intervenção. "A violência em Trípoli causaria novas vagas de refugiados", afirmou a presidência turca na noite de sábado. 

Os dois principais protagonistas da crise na Líbia, Fayez al Sarraj, chefe do Governo da Unidade Nacional (GNA), reconhecido pela ONU, e Jalifa Haftar, líder militar do leste do país, estarão presentes em Berlim. Mas eles não se sentam na mesma mesa. O primeiro é apoiado pela Turquia, enquanto o segundo é apoiado pela Rússia.

Os líderes dessas duas potências, que hoje desempenham um papel fundamental em aproveitar o vazio deixado pelos europeus, se reunirão em Berlim com líderes egípcios, franceses, italianos e alemães. "Deixar a Líbia à mercê de um senhor da guerra seria um erro histórico", disse o presidente turco Recep Tayyip Erdogan no sábado, falando do marechal Haftar.

A França também está sob suspeita de apoiar Haftar em vez do GNA. É necessário "ver as coisas como elas são, ver o equilíbrio de poder como é" com Haftar, que controla com seus aliados "aproximadamente 80% do território", argumenta uma fonte diplomática francesa.

Cessar fogo

Por seu lado, a ONU também espera que durante esta conferência seja possível "consolidar o cessar-fogo" obtido pela Rússia e Turquia e que entrou em vigor desde 12 de janeiro. Até agora, a trégua foi mais ou menos respeitada pelas forças do marechal Haftar e pelas do GNA às portas da capital.

Depois de controlar o Oriente e grande parte do sul da Líbia, o marechal Haftar partiu para conquistar o centro do poder em Trípoli, com uma vitória relâmpago. Mas desde o início de abril, ele enfrenta feroz resistência. Seu rival, o chefe do GNA, solicitou, em entrevista que será publicada no domingo no jornal alemão Welt, o envio à Líbia de uma "força militar internacional" sob os auspícios da ONU, caso o marechal Haftar continue lutando.

A missão dessa força seria "proteger a população civil", disse ele. Nesse contexto, forças pró-Haftar bloquearam os principais terminais de petróleo no leste da Líbia no sábado, jogando assim um balde de água gelada no encontro de Berlim. Segundo essas tropas, era uma maneira de protestar contra a intervenção turca no país.

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