Reunião da Unasul para discutir Venezuela ainda não tem data

Na avaliação do governo brasileiro, encontro só pode ocorrer após a administração de Maduro fazer, oficialmente, pedido de ajuda para a organização

Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2015 | 20h13

BRASÍLIA - A reunião de chanceleres da União de Nações sul-americanas (Unasul) para intermediar a crise na Venezuela ainda não tem data para acontecer. Apesar das declarações do secretário-geral Unasul, Ernesto Samper, tentando acelerar a visita da comissão de ministros, o próprio governo venezuelano ainda não fez um pedido oficial de intermediação. A avaliação do governo brasileiro é que a reunião não pode ocorrer enquanto a Venezuela não apelar novamente à organização por ajuda. 

A comissão de chanceleres, criada por Brasil, Equador e Colômbia, foi formada em março de 2014 para tentar mediar a relação entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição no auge da crise no país, e obteve um relativo sucesso ao conseguir que representantes dos partidos oposicionistas e do governo sentassem para conversar. 

Os chanceleres também obtiveram do governo de Maduro a promessa de investigar as mortes ocorridas durante as manifestações. No entanto, desde então a situação no país voltou a ficar tensa, culminando com a prisão, no dia 19, do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de participar de uma conspiração para derrubar o governo. 

Samper tenta transformar um pedido da Venezuela de uma reunião para melhorar a relação do país com o governo dos Estados Unidos em um encontro de intermediação em Caracas. Há duas semanas, o grupo fez uma reunião de emergência em Montevidéu, requisitada por Maduro, em que o presidente venezuelano pediu a ajuda da Unasul para regularizar as relações com os EUA. 

Um outro encontro deveria acontecer nos próximos dias, possivelmente em Montevidéu, na posse de do novo presidente uruguaio,Tabaré Vázquez. Mas, depois do presidente venezuelano ter acusado o governo de Barack Obama de estar por trás de uma conspiração para derrubá-lo, qualquer esforço nesse sentido foi prejudicado. 

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, está em Londres até a próxima quinta-feira. Na sexta, irá para o Uruguai, acompanhar a presidente Dilma na posse de Vázquez. A expectativa no Itamaraty é que nenhuma reunião aconteça essa semana.

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