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Esteban Collazo/ Argentinian Presidency/AFP
Esteban Collazo/ Argentinian Presidency/AFP

Encontro da cúpula do Mercosul tem divergências entre Uruguai e Argentina

As divergências políticas entre os sócios do Mercosul ficam em evidência durante a cúpula virtual em comemoração aos 30 anos de sua fundação

Emilly Behnke / Brasília , O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 15h43
Atualizado 26 de março de 2021 | 16h33

O encontro da cúpula do Mercosul em comemoração aos 30 anos do bloco na manhã desta sexta-feira, 26, expôs o desalinhamento dos países membros. Boa parte da discussão nem sequer foi acompanhada pelo presidente Jair Bolsonaro, que deixou a videoconferência após sua participação. A principal rusga se deu entre os presidentes do Uruguai, Luis Lacalle Pou, e da Argentina, Alberto Fernández, que ocupa a presidência rotativa do bloco. 

Lacalle Pou fez um discurso duro em que defendeu a flexibilização do bloco e que este não seja um peso para os seus membros. Ele afirmou que o Mercosul não deve e não pode ser um "lastro", em referência a carga colocada em embarcações para sua navegação. 

Ao final da videoconferência, Fernández rebateu: “Se nós tivermos nos convertido em outra coisa, em uma carga, lamento. A verdade é que não queríamos ser uma carga para ninguém", disse. O presidente argentino disse ainda que "se a carga é muito pesada, o mais fácil seria descer do barco". "Terminemos com essas ideias, num momento em que a unidade tanto nos importa. Não queremos ser um lastro para ninguém, se somos um lastro, que tomem outro barco”, disse.

Na reunião, Lacalle Pou também cobrou maior atuação do bloco e a sua flexibilização. “Vamos propor formalmente discutir a flexibilização. O Uruguai precisa tecnicamente e sobretudo politicamente que o Mercosul tome uma decisão a respeito”, disse Lacalle Pou.

Assim como Lacalle Pou, a modernização do bloco e a atualização da Tarifa Externa Comum (TEC) também foram defendidas por Bolsonaro, que foi o segundo a falar na videoconferência. O presidente pediu maior integração regional e "redobrar esforços nas negociações externas". 

Bolsonaro também ressaltou que eventuais diferenças políticas entre o bloco não podem influenciar a integração e desenvolvimento econômico dos países. "Para levar adiante a agenda de modernização do Mercosul, é preciso compromisso e espírito de cooperação entre os membros. Diferenças de perspectivas que existam entre nós, de natureza política ou econômica, não devem afetar o andamento do projeto de integração, desde que respeitados os princípios que balizam o bloco", disse. 

Bolsonaro também destacou a importância da reunião em abril entre os ministros de países membros do bloco. No encontro, é esperada a discussão da flexibilização das regras do Mercosul e também o debate sobre a Tarifa Externa Comum. A tarifa foi ainda citada pelo Paraguai, Mario Abdo Benítez, que também pediu que as negociações externas sejam feitas de forma conjunta e coordenada, sem que isso seja uma "barreira" no desenvolvimento dos países do bloco.

No encontro desta sexta-feira, Fernández propôs a criação de observatórios para tratar da qualidade da democracia, da violência de gênero e do meio ambiente. O tema do meio ambiente, em especial, é uma cobrança internacional direcionada ao Brasil, mas não foi mencionada por Bolsonaro em sua fala.

Além dos presidentes dos países membros (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) a videoconferência também teve a participação dos chefes de Estado do Chile e da Bolívia, países associados.

 

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