Reunião de chanceleres da Unasul sobre Venezuela é adiada

Encontro de emergência chegou a ser anunciado para ocorrer nesta quita-feira, 12, no Uruguai, mas grupo decidiu postergar data

O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 00h32

BRASÍLIA - A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) adiou na quarta-feira, 11, a reunião extraordinária de seus chanceleres que seria realizada nesta quinta-feira, em Montevidéu, para discutir as sanções contra a Venezuela anunciadas pelos Estados Unidos. “A possibilidade desse encontro acontecer na quinta-feira (hoje) foi contemplada, mas a reunião foi adiada pelos próprios chanceleres da Unasul”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Brasil à agência EFE.

O encontro havia sido anunciado na terça-feira, 10, pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, que prometeu uma resposta do organismo “proporcional à grotesca, ilegal, descarada, inédita e injustificada ingerência dos EUA em assuntos da Venezuela”. Ainda de acordo com a fonte do governo brasileiro, que não explicou os motivos do adiamento, o encontro de chanceleres deverá acontecer em uma data futura.

Os chanceleres da Venezuela, Delcy Rodríguez, da Argentina, Héctor Timerman, e do Equador, Ricardo Patiño, já haviam confirmado presença na reunião, que também apareceu em um comunicado distribuído pelo governo uruguaio. Depois do adiamento oficial, o texto foi alterado.

Sobre a sanções americanas, Patiño afirmou à emissora multiestatal TeleSUR que está “preocupado”. “Quando uma ameaça aos Estados Unidos é declarada, este costuma ser o ponto anterior ao início de agressões (militares).”

Na semana passada, o chanceler do Brasil, Mauro Viera, e Patiño, além da ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, e do secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper estiveram em Caracas para conversas com governo e oposição, em uma tentativa de reabrir o diálogo entre as duas partes. 

Os três obtiveram do governo a promessa de que as eleições legislativas serão marcadas, possivelmente para novembro - um dos temores da oposição era de que o governo, com baixa popularidade, tentasse cancelar a realização da disputa. Os chanceleres da Unasul devem voltar a Caracas nas próximas semanas para novas reuniões de intermediação, mas ainda não há datas marcadas. 

Ataques. A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, chamou na quarta-feira, 11, de “petulante e grosseira” a secretária de Estado adjunta dos EUA para América Latina, Roberta Jacobson. “De forma rude e petulante, a sra. Jacobson quer nos dizer o que fazer”, afirmou a ministra venezuelana a uma emissora de TV do país. “(Eu) a conheço bem porque já nos encontramos pessoalmente. Você precisa ter educação para lidar com pessoas e com países.”

O ataque de Delcy foi uma resposta a uma declaração de Jacobson, que negou a hipótese de que os EUA queiram derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. “O objetivo das sanções é persuadir o governo da Venezuela a mudar sua forma de agir, não é derrubar o governo”, escreveu a representante americana em sua conta no Twitter.

China. O governo chinês comentou as sanções impostas pelos EUA à Venezuela e reiterou que espera que Caracas e Washington tenham uma relação de “igualdade e respeito”. “A Venezuela é um país importante na América Latina e seus assuntos internos devem ser resolvidos de forma independente por seus cidadãos”, disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Hong Lei. / EFE

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