Reunião de Sarkozy com dalai-lama afetará comércio, diz China

Governo chinês rejeita propostas de autonomia do líder tibetano e pressiona Paris para cancelar encontro

Reuters,

04 de dezembro de 2008 | 09h11

O governo chinês advertiu nesta quinta-feira, 4, que suas negociações comerciais com a França poderão ser afetadas pelo encontro entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o líder tibetano dalai-lama, previsto para sábado. A China disse ainda que não há chance de autonomia para o Tibete, e usou a imprensa estatal para condenar o apoio dado a tal tese pelo dalai. A agência oficial de notícias Xinhua publicou na quinta-feira dois comentários contra o líder espiritual budista do Tibete, que reivindica uma "autonomia de alto nível" na sua montanhosa região - o que seria uma forma de autonomia mesmo sob a soberania chinesa. A China solicita que Sarkozy desista do evento. Como forma de protesto, Pequim suspendeu uma cúpula com a União Européia em Lyon, que aconteceria na segunda-feira, após longo planejamento. Liu Jianchao, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que a reunião de Sarkozy com o Dalai Lama provocou "muita insatisfação" entre o povo chinês. "Esperamos que o lado francês possa prestar atenção aos apelos do público chinês por justiça", afirmou o porta-voz a jornalistas. Empresas francesas foram alvos de boicotes e manifestações neste ano na China, depois de distúrbios contra o regime chinês durante a passagem da tocha olímpica por Paris. "Também esperamos que o público chinês possa, calma e racionalmente, lidar com o atual estado das relações sino-francesas, e que os franceses trabalhem arduamente para resolver o problema", concluiu Liu.  A agência oficial de notícias Xinhua publicou na quinta-feira dois comentários contra o líder espiritual budista do Tibete, que reivindica uma "autonomia de alto nível" na sua montanhosa região - o que seria uma forma de autonomia mesmo sob a soberania chinesa. A China solicita que Sarkozy desista do evento. Como forma de protesto, Pequim suspendeu uma cúpula com a União Européia em Lyon, que aconteceria na segunda-feira, após longo planejamento. As autoridades chinesas criticaram a posição do dalai-lama depois de receberem de enviados dele, em encontros no mês passado, um "Memorando para que todos os tibetanos desfrutem da genuína autonomia". Os comentários na Xinhua afirmam que o dalai ignora as liberdades político-religiosas que a China concede aos tibetanos, e dizem que aceitar as exigências dele poderia gerar perigosas divisões étnicas no país. "Ao agitar a bandeira da implementação da autonomia étnica regional na China, insistindo em exigências políticas para um chamado 'Grande Tibete' e em 'autonomia de alto nível', o Dalai Lama está violando os interesses fundamentais do povo tibetano", diz um dos textos, intitulado "Isso não tem futuro."

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