Reunião do G-7 sobre a Crimeia ofusca cúpula nuclear em Haia

O presidente dos EUA, Barack Obama, usará o palco da cúpula sobre segurança nuclear, que ocorre hoje e amanhã em Haia, na Holanda, para discutir a crise na Crimeia e aumentar a pressão de aliados contra a Rússia. Obama se reunirá com os líderes do G-7 (Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, além dos EUA) às 18 horas, na residência oficial do premiê holandês, Mark Rutte, em um encontro convocado em caráter de urgência para discutir como responder à anexação da península pela Rússia e decidir sobre a expulsão do país do G-8.

ADRIANA CARRANCA, ENVIADA ESPECIAL/ HAIA, HOLANDA, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2014 | 02h01

Em paralelo, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, deve se reunir com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também em Haia. Será o primeiro encontro entre representantes da Rússia e EUA desde a anexação da Crimeia. O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatsenyuk, cancelou sua participação.

Obama se encontrará, ainda, com o presidente da China, Xi Jinping, que chegou ontem a Haia com uma delegação de 200 integrantes e uma agenda de encontros para fechar acordos comerciais com os representantes de 53 países que integram o encontro, entre eles o Brasil.

A conversa entre Obama e Jinping deve ficar em torno da crise na Crimeia. O presidente americano quer persuadir o líder chinês a tomar ações mais duras contra o presidente russo, Vladimir Putin. Tradicional aliado da Rússia, a China se absteve na votação da ONU que poderia ter condenado as ações de Putin na Ucrânia.

A cúpula sobre segurança nuclear foi criada por Obama em 2010 com o objetivo de convencer os países a reduzir seus estoques de materiais nucleares não militares e discutir medidas de segurança para garantir que não caiam nas mãos de grupos terroristas como a Al-Qaeda. Essa será a terceira cúpula, após Washington, em 2010, e Seul, em 2012. Mas tudo indica que o debate este ano será ofuscado pela crise na Crimeia.

"Esse tipo de conferência é muitas vezes uma boa oportunidade para discutir outras questões. A Ucrânia é uma delas", limitou-se a dizer ontem o premiê holandês, Mark Rutte, sobre o encontro do G7.

Desarmamento. O assunto não foge totalmente do tema da cúpula, no entanto. O número de países que possuem quantidade suficiente de urânio altamente enriquecido ou plutônio para fazer uma bomba caiu de 39, antes da primeira conferência em Washington, em 2010, para 25 agora.

Entre os países que se tornaram livres de material nuclear está a Ucrânia, que eliminou o estoque remanescente de cerca de 176 quilos de urânio altamente enriquecido em 2012. "Você imagina como o mundo estaria preocupado agora diante dessa nova crise se esse material ainda estivesse na Ucrânia", disse ao Estado Deepti Choubey, diretora da organização Nuclear Threat Initiative, que monitora o material nuclear dos países. "Temos de garantir a segurança de todo o material disponível, de acordo com regras internacionais, porque o cenário mundial pode mudar de uma hora para outra, como vimos na Ucrânia."

Especialistas em segurança nuclear em Haia também temem que a crescente hostilidade entre EUA e Rússia possa minar os acordos bilaterais nessa área entre as duas potências com maior arsenal. Ou que haja um retrocesso nos avanços conquistados recentemente, como o acordo entre EUA e Rússia em torno do desarmamento químico da Síria, ou o acordo de Genebra entre Irã e as potências nucleares do grupo 5+ 1, que reúne EUA, Rússia, China, Alemanha, Grã-Bretanha e França.

A segurança do evento será reforçada com a presença de 33 mil policiais.

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