Reunião em Londres tratará do futuro da Líbia

Encontro acontecerá nesta terça-feira, 29, e contará com mais de 40 delegações

Efe,

29 de março de 2011 | 05h22

LONDRES - Mais de 40 delegações, dos países da coalizão internacional, Nações Unidas, Otan, União Africana e Liga Árabe, se reunirão nesta terça-feira, 29, em Londres para tratar do conflito armado na Líbia, do futuro do seu líder, Muammar Kadafi, e do processo de transição à democracia.

 

Enquanto a Otan, que assumiu o comando da operação, iniciada com o objetivo expresso de proteger a população civil, insiste que é imparcial no conflito, a Rússia manifestou sua preocupação ao assinalar que a intervenção não foi sancionada pela ONU.

 

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fizeram na segunda-feira, 28, uma chamada conjunta aos líbios para que abandonem Kadafi.

 

"Chamamos todos os líbios que acham que Kadafi conduz a Líbia ao desastre a tomar atualmente a iniciativa para organizar um processo de transição", manifestaram os dois líderes europeus.

 

"Em nossa opinião, (a transição) deveria incluir o Conselho Nacional de Transição Interino, ao qual reconhecemos como pioneiro (nesse processo), os líderes da sociedade civil e todos os que estiverem dispostos a somar-se ao processo de transição à democracia", indicou a chamada.

 

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama defendia a primeira intervenção militar de sua gestão para salvar "inúmeras vidas" de civis, embora tenha insistido que a operação terá caráter limitado.

 

Obama deixou claro que após liderar a primeira fase da campanha, os EUA entregarão o comando da campanha militar aos aliados na quarta-feira.

 

Na segunda-feira, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país também é membro da Otan, indicou em entrevista sua disposição em mediar as operações na Líbia para evitar "um segundo Iraque" ou um "novo Afeganistão".

 

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Erdogan advertiu que um conflito prolongado pode ter consequências desastrosas tanto para a Líbia como para os países da Otan.

 

"Nos opusemos a toda ação unilateral e jamais poderíamos aceitar chamadas como a do ministro francês a favor de uma nova Cruzada", assinalou Erdogan em referência a comentários do ministro do Interior francês, Claude Guéant.

 

Segundo o comunicado do Foreign Office, um dos propósitos da conferência de Londres é "demonstrar a unidade de objetivos da comunidade internacional, reunindo um amplo grupo de países comprometidos com um futuro melhor para o povo da Líbia".

 

Também se trata de "enviar uma mensagem inequívoca em nome da comunidade internacional indicando que seguiremos aplicando a resolução 1.973 do Conselho de Segurança, que inclui a proteção da população civil frente aos violentos ataques".

 

A Otan negou que os ataques aéreos contra as forças do coronel Kadafi tenham como objetivo dar cobertura aos rebeldes em seu avanço rumo a Trípoli.

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