Reunião entre Schroeder e Putin não rende

O chanceler alemão Gerhard Schroeder e o presidente russo Vladimir Putin encerraram nesta terça-feira sua quarta reunião exaltando sua "parceria", mas sem chegar a uma solução sobre a pesada dívida russa com a Alemanha, nem sobre o impasse em torno do seqüestro de obras de arte alemãs pelos soviéticos durante a Segunda Guerra mundial. Schroeder incentivou a Rússia a buscar uma integração mais rápida na Europa. Putin disse recentemente que estreitar os laços com os países europeus é sua máxima prioridade, em uma aparente tentativa de compensar o esfriamento nas relações entre Rússia e EUA. "A Rússia considera a Alemanha um parceiro confiável a longo prazo", disse Putin durante a entrevista coletiva no final do encontro de dois dias em sua cidade natal, São Petersburgo."Com a Alemanha exercendo um papel-chave na União Européia (UE), nós confiamos na expansão dos laços entre Rússia e UE". Uma cálida e ambiciosa retórica, um acordo sobre cooperação nas pesquisas espaciais e sobre um programa de treinamento oferecido pela Alemanha aos administradores econômicos russos foram os únicos resultados efetivos do encontro. Nenhum progresso foi obtido na questão-chave do débito da Rússia pós-soviética com a Alemanha, que já se aproxima da metade dos US$ 48 bilhões da dívida russa com os países do Clube de Paris. Schroeder disse que poderia reescalonar o débito russo em relação à parcela alemã na dívida de Moscou junto ao Clube de Paris se a Rússia enfrentar uma grave crise, mas não quis confirmar a promessa."Estamos dispostos a dar assistência à Rússia se a situação se modificar em relação ao débito", disse o chanceler alemão. De início, a Rússia havia se recusado a pagar US$ 3,5 bilhões de sua dívida que venciam este ano junto ao Clube de Paris, mas depois se rendeu às pressões dos credores - incluindo a Alemanha - e começou a pagar. Os dois países também continuam num beco sem saída em relação ao plano de converter parte da dívida soviética com a Alemanha Ocidental em participação acionária nas empresas russas. Os alemães querem ações das empresas russas mais valorizadas, enquanto os russos só ofereceram ações das empresas que despertam menor interesse. As duas partes também se desentenderam quanto à taxa de câmbio a ser usada para a troca.Putin e Schroeder concordaram apenas em nomear especialistas para prosseguirem com as consultas mútuas. "Estamos mantendo conversações com a Rússia e encontraremos uma solução que evitará qualquer tipo de discriminação", disse Schroeder. Também não foi encontrada solução para outro ponto sensível - o pedido feito por Berlim para que a Rússia devolva as obras de arte alemãs saqueadas pelo vitorioso Exército Vermelho no final da Segunda Guerra mundial.Moscou tem se recusado a devolver o botim, visto pelos russos como uma justa compensação pelas imensas perdas humanas, econômicas e culturais sofridas pelo país durante a invasão nazista. Putin lembrou nesta terça-feira os danos causados à Rússia pela guerra, mas prometeu que seu governo "tentará encontrar uma solução" para a questão. Terminada a reunião, os dois líderes visitaram juntos o renomado Museu Hermitage, onde está guardado parte do tesouro de arte reivindicado pelos alemães, e também o palácio imperial de Tsarskoye Selo, nos arredores de São Petersburgo.

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