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Reunião sem Caracas avalia possível liderança compartilhada do Mercosul

Integrantes da diplomacia uruguaia mostram-se flexíveis, pela primeira vez, a administração compartilhada; Brasil apoia proposta

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2016 | 05h00

Representantes de Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai se reunirão na manhã desta quinta-feira em Montevidéu, onde fica a sede administrativa do Mercosul, para avaliar a adoção de uma presidência conjunta semestral. Os anfitriões fazem uma ginástica diplomática para não dar um ar oficial ao encontro, circunstância em que deveria estar convocada a também a Venezuela, integrante que reivindica o direito de chefiar o bloco, até agora com o apoio uruguaio.

 Integrantes da diplomacia uruguaia mostraram-se ontem flexíveis pela primeira vez a uma administração compartilhada do Mercosul neste semestre. Mas salientaram que isso dependeria da anuência de Caracas, o que é improvável. A Venezuela publicou no sábado um comunicado, enviado aos integrantes, em que unilateralmente assumiu o posto deixado vago pelo Uruguai na sexta-feira. 

Segundo o jornal uruguaio El País, não serão assinadas atas e a secretaria administrativa do Mercosul não dará apoio logístico ao encontro, para que a discussão mantenha o tom informal. A ideia de administração conjunta, por uma espécie de comissão de embaixadores, uma das soluções em debate desde sábado, foi defendida pelo chanceler José Serra na terça-feira. 

“Achamos razoável que se faça uma comissão de embaixadores que representam os países do Mercosul para informalmente dirigir o bloco até o fim do ano, quando assumirá a presidência rotativa o presidente da Argentina (Maurício) Macri”, afirmou. Enquanto no Brasil a ideia é considerada argentina, no Uruguai ela é citada como brasileira.

Para Serra, a Venezuela não tem condições de liderar o bloco. “Não dá para desviar atenção de aspectos tão importantes da integração econômica em razão da dinâmica dos problemas de um governo autoritário na Venezuela.” Na última vez em que o Mercosul tentou se reunir sem convidar a Venezuela, no dia 11, em Montevidéu, a chanceler chavista, Delcy Rodríguez, apareceu de surpresa e acusou os enviados de Brasil e Paraguai de se esconder no banheiro para não enfrentá-la.

Na terça-feira, Delcy voltou a fugir do tom usual das discussões diplomáticas ao acusar Brasil, Argentina e Paraguai de formar uma Tríplice Aliança contra seu país e usar “picaretagens” jurídicas para impedir Caracas de assumir o posto. A Venezuela deveria ser o próximo país na função, segundo o critério de rotatividade semestral por ordem alfabética. 

Brasil, Paraguai e Argentina, levantaram diferentes razões para evitar essa posse. Os dois primeiros consideram que Caracas não cumpre os requisitos legais mínimos para tornar-se um membro pleno e assim pleitear a presidência. Também citam o risco de que a instabilidade venezuelana atrapalhe negociações comerciais com outros blocos. A Argentina diz não se opor a Caracas na chefia, mas não admite a forma como foi feita a transição, em uma espécie de autoproclamação. 

Caracas teria até o dia 12 para comprovar essa adaptação e argumenta que já passou um ano na presidência do bloco sem ter reunido os requisitos.

O chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, indicou que proporá a transmissão da presidência semestral à Argentina, o próximo país em ordem alfabética. “Vamos decidir como afrontar os próximos seis meses e analisar o protocolo de adesão da Venezuela, para resolver essa situação da presidência. E poderíamos, seguindo a ordem alfabética, fazer com que a Argentina assuma a presidência”, afirmou. Ele disse que os países serão representados pelos vice-chanceleres.

 Sobre a escolha de se reunir no Uruguai, país que apoiou a Venezuela, o paraguaio disse que ali se encontra a sede administrativa do Mercosul. Sobre as acusações de que Brasil, Argentina e Paraguai formam uma Tríplice Aliança contra Caracas, Loizaga disse que “nos quatro países fundadores funcionam os fundamentos do Estado e a divisão de poderes. E também se respeitam as minorias. É preciso se acostumar, a democracia não é fácil.” 

 

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