Reunidas em Paris, potências contam com apoio de árabes contra jihadistas

O governo dos Estados Unidos já conta com o compromisso de participação de "diversos" países árabes em uma coalizão para atacar os extremistas do Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque e na Síria. A informação foi divulgada ontem por assessores do secretário de Estado americano, John Kerry, que está em Paris para uma conferência internacional sobre o combate aos jihadistas. A reunião ocorre hoje.

PARIS, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 02h01

Os países dispostos a colaborar com bombardeios e tropas terrestres não foram informados, mas o pouso de Kerry na capital francesa ocorreu após um giro por oito nações árabes em busca de apoio.

A expectativa pela conferência de Paris se intensificou com a divulgação, na noite do sábado, de um vídeo mostrando mais uma decapitação pelos extremistas. O refém executado, David Haines, de 44 anos, era britânico e funcionário de uma ONG de ajuda humanitária que operava no norte da Síria.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, manifestou repúdio à execução e apoio aos combates contra os jihadistas, mas evitou anunciar participação mais intensa na coalizão. Washington busca formar uma ofensiva ampla, evitando o envio de tropas terrestres americanas. A Força Aérea dos EUA vem realizando bombardeios desde junho para auxiliar tropas iraquianas e combatentes curdos na luta contra o EI.

Em entrevista à emissora americana NBC, o chefe de gabinete da Casa Branca, Denis McDonough, afirmou ontem que o secretário de Estado anunciará "nos próximos dias" os nomes dos países comprometidos em atacar os extremistas.

Também ontem, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbot, revelou que seu país está entre os dispostos e divulgou mais detalhes. Abbot afirmou que serão 600 militares para compor uma força terrestre e até dez aeronaves para bombardeios. O premiê australiano enfatizou, no entanto, que suas operações se limitarão ao território iraquiano, descartando envolvimento na Síria.

Execução. O vídeo da morte de Haines levou o primeiro-ministro britânico a convocar uma reunião de emergência ontem para tratar do caso. Cameron prometeu que a Grã-Bretanha fará "o que for necessário" para eliminar a ameaça do EI. "Vamos caçar os responsáveis e levá-los à Justiça, leve o tempo que levar", afirmou.

O premiê qualificou os integrantes do grupo jihadista como "monstros" e reiterou apoio à coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Frédéric Roussel, diretor da ONG Acted, para a qual Haines trabalhava, disse esperar que os culpados um dia sejam julgados. A organização humanitária emitiu um comunicado afirmando estar "profundamente comovida e horrorizada" com a execução do britânico.

MikeHaines, irmão do britânico executado, declarou ontem que ele ajudava "qualquer um que precisasse de auxílio."

Os jihadistas já publicaram vídeos de decapitações de outros dois reféns ocidentais: os jornalistas americanos James Foley e Steven Sotloff.

As autoridades da Grã-Bretanha confirmaram ontem o nome de outro britânico mantido refém pelo Estado Islâmico. Alan Henning, de 47 anos, também teria ido à Síria prestar ajuda humanitária. O refém é mostrado ao fim do vídeo da execução de Haines e apontado como "próxima vítima" pelo carrasco jihadista.

A família de Henning havia pedido para que o governo mantivesse seu nome em segredo, mas voltou atrás ontem e liberou a divulgação. / AP e NYT

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