Revelações causaram mudanças, diz Snowden

O ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden, afirmou ontem que as propostas de reformas das agências de inteligência indicam que a revelação dos métodos e dos objetivos do serviço secreto dos Estados Unidos foi justificada.

BERLIM, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2013 | 02h06

No texto Manifesto pela Verdade, publicado pela revista alemã Der Spiegel, Snowden disse que os atuais debates sobre a ampla vigilância em muitos países mostram que suas revelações estão ajudando provocar mudanças.

"No lugar de causar dano, ficou clara a utilidade destas revelações para a sociedade, pois estão surgindo reformas na política, nos monitoramentos e nas leis", escreveu.

As revelações, feitas com base nos documentos que foram vazados por Snowden, de que o governo dos EUA mantém um amplo programa de vigilância, além de supostamente ter grampeado líderes mundiais, irritaram os principais aliados de Washington - entre eles Alemanha e Brasil, que apresentaram um projeto de resolução na ONU contra a espionagem.

"Os cidadãos têm de lutar contra a omissão de informações sobre assuntos de fundamental importância para o público. Aqueles que dizem a verdade não estão cometendo um crime", justificou o americano, de 30 anos.

Desde agosto, Snowden mora na Rússia, onde recebeu asilo por um ano. Na semana passada, em carta aberta enviada à Alemanha, ele afirmou que confiava na ajuda internacional para deter a "perseguição" de Washington contra ele.

No manifesto de ontem, Snowden também disse que os programas de vigilância das agências de inteligência são criminosos, colocam em risco a privacidade individual, a liberdade de opinião e as sociedades abertas. "Temos a tarefa de assegurar que nossas leis e valores limitem os programas de vigilância e protejam os direitos humanos."

Programa europeu. No sábado, o jornal britânico The Guardian revelou que vários países europeus mantêm em conjunto um programa de vigilância da internet e da telefonia similar ao dos EUA. / REUTERS e AFP

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