Reverendo reacende polêmica racial e pode prejudicar Obama

Ex-pastor do senador defende sermões e diz ter sido mal interpretado

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2008 | 00h00

O reverendo Jeremiah Wright, ex-pastor do senador Barack Obama, candidato democrata à Casa Branca, defendeu ontem seus sermões inflamados e acusou os meios de comunicação de reproduzirem de forma sensacionalista suas declarações. "O que causa divisão são as condições sociais dos negros, não minhas declarações", disse.Em março, Wright tornou-se conhecido em todo o país depois que seus sermões foram divulgados pela internet, ganharam os noticiários de TV e chegaram a ser vendidos em DVD. Neles, o pastor afirma que os EUA são um país racista e os negros, em vez da tradicional frase "Deus abençoe a América", deveriam dizer "Deus amaldiçoe a América". Wright disse ainda que o governo dos EUA criou a aids para destruir os negros e os ataques terroristas do 11 de Setembro foram uma retaliação à política externa americana. "As galinhas criadas pelos EUA voltaram para ciscar em casa", disse ele em referência aos terroristas da Al-Qaeda. "Eu estava apenas citando o embaixador do Iraque", afirmou ontem o pastor, que disse que as frases dos sermões foram tiradas do contexto.A polêmica atingiu em cheio a campanha de Obama, que freqüentou por 20 anos a igreja do reverendo e teve seu casamento e o batizado de suas filhas realizados por Wright. Em meio a uma acirrada disputa com a senadora Hillary Clinton, Obama reagiu logo em seguida, proferindo o já célebre discurso sobre a questão racial. O retorno do pastor à mídia, portanto, volta a ameaçar a candidatura de Obama. O próprio senador afirmou que o episódio "não ajuda em nada" sua campanha. "Ele é livre para dizer o que quiser", afirmou Obama. "Eu só queria deixar claro que ele é meu ex-pastor." Ontem, Wright afirmou que entende o fato de Obama querer distanciar-se de sua figura. "Se ele não fizer isso, perderá a disputa eleitoral no interior do partido", disse o reverendo.Enquanto o candidato republicano, John McCain, tentou capitalizar a volta da polêmica, criticando a ligação entre Wright e Obama, o senador democrata ganhou o apoio inesperado da campanha de Hillary. "Obama já disse o que tinha de dizer", afirmou Geoff Garin, estrategista-chefe da senadora. "É hora de seguir em frente."

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