Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Revés de Trump amplia divisão republicana

Derrota no Congresso em tentativa de derrubar sistema de saúde de Obama abala credenciais de negociador nato apresentadas por presidente americano

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2017 | 23h30
Atualizado 25 de março de 2017 | 23h30

O fracasso republicano em rejeitar o Obamacare expôs as divisões internas da legenda e levantou dúvidas sobre a capacidade do governo Donald Trump de aprovar no Legislativo outros itens de sua agenda, como a reforma tributária e um pacote de investimentos em infraestrutura.

A revogação da reforma do sistema de saúde adotada pelos democratas em 2010 foi a principal bandeira política dos republicanos nos últimos sete anos. Com maioria nas duas Casas do Congresso desde 2014, eles aprovaram 60 projetos de rejeição do Obamacare, sabendo que eles seriam vetados pelo ex-presidente Barack Obama.

Na sexta-feira, o partido não conseguiu reunir votos suficientes para votar uma proposta que seria sancionada pela Casa Branca. Os principais responsáveis pela derrota foram os ultraconservadores do Freedom Caucus, grupo que reúne pouco mais de 30 deputados republicanos. Para votar “sim”, eles exigiam eliminação de uma série de benefícios na cobertura dos planos de saúde, o que enfrentava resistência dos moderados.

Divisões ideológicas também poderão dificultar a votação do pacote de US$ 1 trilhão de investimentos em infraestrutura de Trump. A proposta é vista com desconfiança pelos republicanos defensores do rigor fiscal, que tendem a votar contra a ampliação de gastos públicos.

Os republicanos também tentam há anos chegar a um consenso sobre a reforma tributária. De maneira geral, concordam com a redução de impostos, mas divergem na solução para compensar a queda de arrecadação. O projeto que está em discussão no Congresso propõe a criação de um tributo sobre a importação, que geraria receita para compensar o corte de impostos. A proposta divide o setor privado americano e tem oposição de parte dos parlamentares republicanos. Em geral, a indústria é a favor e as grandes redes de varejo, como o Walmart, contra.

A derrota também abalou dois mitos que Trump promoveu: o de que é um grande negociador e ganha sempre. Durante a campanha, prometeu que substituiria “imediatamente” o Obamacare por um sistema “muito melhor”. Quando lançou sua candidatura, em 2015, disse que os EUA precisavam de alguém com habilidade negociadora. “Se você não pode fazer um bom acordo com um político, há algo de errado com você. Você certamente não é muito bom.”

Trump disse neste sábado no Twitter que o Obamacare vai “explodir”, o que permitirá sua substituição por um “grande” plano de assistência médica. “Não se preocupem!”

 

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