Revés eleitoral dos candidatos seqüestrados na Colômbia

Apesar de suas campanhas serem consideradas um desafio da classe política às tentativas dos grupos violentos para colocá-las a serviço de seus propósitos, os candidatos seqüestrados que se apresentaram às eleições legislativas tiveram resultados adversos. Os cinco congressistas capturados pela Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com o objetivo de trocá-los por guerrilheiros presos fracassaram em nas tentativas de reeleição.Luis Eladio Pérez e Julio Eduardo Gechem Turbay não conseguiram os votos necessários para manter os assentos no Senado. O caso de Gechem era altamente simbólico, já que o seqüestro a bordo de um avião comercial pelas FARC em 20 de fevereiro foi o pivô para a decisão do presidente Andrés Pastrana de romper o diálogo de paz de três anos com os rebeldes.Os deputados Orlando Beltrán e Consuelo González de Perdomo também não conseguiram cativar o eleitorado do departamento (estado) de Huila, enquanto Oscar Lizcano não pôde capitalizar suficiente apoio eleitoral em Caldas. O ex-governador de Meta, Alan Jara, que foi seqüestrado em julho de 2001 pelas FARC em um veículo das Nações Unidas, tampouco conseguiu uma cadeira na Câmara de Representantes. A única seqüestrada eleita foi a conservadora Gloria Polanco de Losada, que obteve a maior votação para deputada em Huila.Depois de saudar a vitória da candidata e a "solidariedade e apoio" recebidos por parte da população, seu marido, Jaime Losada, disse que o triunfo não será completo até que termine o cativeiro de Gloria. Analisando a derrota dos seqüestrados, o analista político Vicente Torrijos opinou que estes candidatos foram derrotados em grande parte porque o desenvolvimento das campanhas por "controle remoto" nem sempre contou com sua anuência, o que produziu vazios ideológicos importantes.Além disso, a ausência física não lhes teria permitido ativar as "máquinas eleitorais" e teria levado os eleitores a pensarem sobre até que ponto seria "útil" selecionar um representante que não ocupará sua cadeira, por mais simbólica que pudesse ter sido sua eleição.Em dezembro passado, o Congresso aprovou uma lei pela qual foram eliminados os requisitos de cada candidato fazer pessoalmente a inscrição quando existirem "motivos de força maior" para não o fazerem, entre os quais o seqüestro. Cerca de 3.000 seqüestros ocorrem por ano na Colômbia, a maioria deles cometidos pelas guerrilhas.

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