Revisão das eleições pode gerar violência no Iraque

O ex-primeiro-ministro iraquiano Ayad Allawi pediu hoje a formação de um governo interino sob supervisão internacional para evitar que o país entre numa onda de violência e para interromper o que ele chamou de tentativas de "roubar" a eleição. Enquanto isso, um duplo atentado suicida matou sete pessoas no sul de Bagdá e realçou o fato de que as discussões sobre o resultado eleitoral podem abrir caminho para nova violência sectária.

AE-AP, Agência Estado

28 de abril de 2010 | 16h29

O bloco de Allawi, o Iraqiya, diminuiu a divisão sectária e conquistou forte apoio de sunitas na eleição de 7 de março, conquistando 91 cadeiras, duas a mais do que a coalizão do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, no Parlamento. Agora, porém, uma série de medidas, dentre elas a recontagem de votos e a tentativa de desqualificar candidatos, ameaça essa liderança do bloco de Allawi.

Um tribunal iraquiano cuja função é investigar reclamações relacionadas à eleição já desqualificou um de seus candidatos por supostas ligações com o antigo regime. Funcionários eleitorais confirmaram que outros nove candidatos eleitos, dentre eles sete da lista de Allawi e um do grupo de Maliki estão sendo investigados. A decisão do tribunal foi tomada a pedido de uma comissão que investiga as conexões de políticos com o regime de Saddam Hussein. O comissário eleitoral Hamdiya al-Hussaini disse que o tribunal deve definir os destinos dos nove candidatos até segunda-feira.

Se sete candidatos do Iraqiya e seus votos forem desconsiderados, isso pode mudar a contagem das cadeiras do Parlamento de 325 integrantes e potencialmente dar a liderança ao bloco Estado de Direito, de Maliki. Isso pode irritar os desiludidos sunitas do país, que se sentem marginalizados pelo governo comandado pelos xiitas.

"Certamente o que está acontecendo é o roubo da vontade do Iraque e de sua democracia, ameaçando a segurança do país", disse Allawi ao canal iraquiano al-Sharqiya. "Vamos pedir a formação de um novo governo interino."

Allawi chamou organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Liga Árabe, a União Europeia e a Organização da Conferência Islâmica para ajudar a estabelecer um governo interino imparcial. Mas um funcionário da ONU em Bagdá descartou a ideia de a comunidade internacional ter um envolvimento próximo na política iraquiana, dizendo que essas disputas só podem se resolvidas pelos próprios iraquianos.

"Nós não queremos que os norte-americanos falem sobre a política interna iraquiana, pode imaginar se o restante da comunidade internacional se envolver?", disse o funcionário, em condição de anonimato.

Atentados

Os dois carros-bomba explodiram num intervalo de cinco minutos, no final da tarde, perto de um posto de checagem e de um mercado no enclave xiita de Abu Dashir, que é cercado pela forte vizinhança sunita de Dora.

Dora já foi uma fortaleza da Al-Qaeda no Iraque e o cenário de confrontos envolvendo tropas norte-americanas. Policiais e funcionários hospitalares, falando em condição de anonimato, disseram que três pessoas morreram na primeira explosão e quatro na segunda, e que o total de feridos é de 23.

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